Associações e sociedades científicas pedem plano nacional de rastreio do cancro do pulmão

Associações de apoio a doentes, de médicos e sociedades científicas pediram ao Governo um plano nacional de rastreio do cancro do pulmão, o mais mortal no mundo e uma das principais causas de morte oncológica em Portugal



Numa carta aberta promovida pela associação Pulmonale enviada à ministra da Saúde e a que a usa teve acesso, os subscritores recordam os projetos-piloto anunciados, mas lembram que estes não se podem confundir com um programa nacional de rastreio, o único que garante acesso equitativo a todos.

Além de pedirem um plano nacional de rastreio de base populacional para o cancro do pulmão, com metas, calendário e compromissos publicamente conhecidos, os subscritores perguntam ao Ministério da Saúde quais são os planos nesta matéria e apontam a necessidade de acelerar o passo.

Defendem que os projetos-piloto em curso devem ser formalmente integrados numa estratégia nacional clara e que o objetivo final tem de ser a criação de um modelo de rastreio nacional, transparente e de base populacional, assente nas recomendações científicas e alinhado com as melhores práticas europeias e com o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro.

Para tal – dizem – é necessária “uma maior articulação” entre decisores políticos, profissionais de saúde, sociedades científicas e associações de doentes na definição e concretização deste programa.

“Apelamos ao Governo, à senhora ministra da Saúde e aos demais decisores com responsabilidade nesta matéria que assumam, sem mais adiamentos, o compromisso de apresentar um plano nacional de rastreio do cancro do pulmão de base populacional”, solicitam.

A carta, subscrita pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Fundação Portuguesa do Pulmão, Sociedade Portuguesa de Oncologia e Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardíaca, Torácica e Vascular e Grupo de estudos do Cancro do Pulmão, foi lançada numa altura em que decorre uma campanha nacional que alerta para o atraso de Portugal na implementação de um programa nacional de rastreio do cancro do pulmão.

Os dados divulgados pela Pulmonale indicam que o cancro do pulmão mata, em média, 13 portugueses por dia, numa doença que tem 16 novos diagnósticos diários no país.

A missiva chama ainda a atenção para o facto de o cancro do pulmão ser uma das doenças oncológicas em que o diagnóstico precoce tem maior impacto direto na sobrevivência dos doentes.

Cerca de 40% dos casos são ainda hoje diagnosticados em estádio IV, quando a sobrevivência a cinco anos é inferior a 10%, enquanto os casos detetados em estádio inicial atingem taxas de sobrevivência superiores a 68%.

Um despacho publicado em abril previa o arranque de projetos-piloto de rastreio para cancro do pulmão nas unidades locais de saúde Gaia/Espinho e Santa Maria (Lisboa), abrindo a possibilidade de serem alargados a outras unidades do Serviço Nacional de Saúde por despacho do diretor-executivo do SNS.

Nos últimos anos, vários países europeus têm vindo a testar programas organizados dirigidos a grupos de maior risco, com resultados promissores na redução da mortalidade.

Apesar disso, ainda não existe consenso internacional sobre o modelo ideal de rastreio populacional, nomeadamente quanto a critérios de elegibilidade, periodicidade, organização dos circuitos assistenciais ou integração com programas de cessação tabágica


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