A Associação Portuguesa de Patologia Dual organizou, pela primeira vez nos Açores, um seminário dedicado aos comportamentos aditivos, à saúde mental e à intervenção social, com o objetivo de partilhar soluções e melhorar a resposta a estas problemáticas na Região.
O cerne da solução está em aproximar os serviços de saúde, as instituições sociais e as entidades públicas. Nenhum setor consegue, sozinho, conhecer e responder a um problema tão complexo como este: “Estamos todos condenados a conversar uns com os outros”, sublinhou João Mendes Coelho, vice-presidente da Associação Portuguesa de Patologia Dual.
Por isso, a chave está na articulação das várias entidades, para que as barreiras no acesso aos tratamentos e cuidados de saúde sejam eliminadas ou, pelo menos, mitigadas. O objetivo é garantir que as pessoas encontrem sempre uma resposta, independentemente da porta a que batam: “No wrong door”, em português quer dizer “Não há porta errada”, defende o especialista.
Uma resposta integrada, com vários pontos de entrada, faz com que as pessoas não se sintam perdidas entre os serviços e que não sejam prejudicadas pela falta de comunicação entre instituições.
O encontro trouxe à Região conhecimento científico, exemplos de projetos com resultados positivos e várias perspetivas sobre o que pode ser a reorganização dos serviços de saúde e o acompanhamento das pessoas com comportamentos aditivos e dependências.
Nos Açores, um dos desafios mais urgentes tem a ver com o consumo de substâncias sintéticas estimulantes. Segundo João Mendes Coelho, a evolução farmacológica nesta área está ainda limitada e, infelizmente, não há ainda grandes perspetivas de progressos, pelo menos a curto prazo.
Mas isso não significa que não haja tratamento, obriga é a que haja um reforço nas outras formas de intervenção.
E é para atenuar esta realidade que o seminário abriu portas aos profissionais de todas as áreas de intervenção nesta problemática: tendo em conta os limites da resposta farmacológica, é preciso potenciar todas as outras ferramentas disponíveis, desde o acompanhamento psicológico e social à intervenção comunitária e à cooperação entre instituições.
João Mendes Coelho chama para a ação as autarquias, as organizações não governamentais, as instituições particulares de solidariedade social, os serviços de saúde, as forças policiais e a Justiça.
Todas estas frentes devem trabalhar em conjunto e de forma coordenada, é preciso evitar respostas fragmentadas que prejudicam quem mais precisa no acesso aos cuidados.
