“Cada peça esconde um presente. Juntos, podemos tornar este Natal ainda mais feliz” é o mote do “Presépio Solidário”, iniciativa da Casa do Gaiato - Obra do Padre Américo nos Açores que vai para a sua quarta edição. Cada uma das 35 crianças e jovens, com idades entre os cinco e os 25 anos, acolhidos por esta instituição. escreve o que gostaria de receber, cabendo à comunidade ajudar a que passe um Natal diferente.
Quem quiser participar, basta enviar um e-mail para o endereço “obradopadreamericonosacores@gmail.com” e escolher um dos 15 bonecos de presépio: Menino Jesus, José, Maria, anjo, estrela-guia, Gaspar, Baltazar, Belchior, pastor, agricultor, vaca, burro, camelo, cordeiro ou ovelha.
E o que as edições anteriores têm revelado é que a comunidade diz “presente!”, partilha o padre Norberto Brum, responsável maior da Casa do Gaiato.
“Tem sido bastante recetiva à iniciativa, e desde a primeira edição que a comunidade se tem empenhado em concretizar estes sonhos, estes desejos, que nós temos o cuidado de que não sejam muito dispendiosos”.
Aliás, o que as crianças e a Casa do Gaiato recebem vai muito além do que é escrito nas cartas: “Há muitas outras ofertas que são dadas, que não foram pedidas diretamente pelas crianças, mas que acabam também por reverter a favor das próprias crianças. Há muita gente que oferece roupa, pijamas, jogos didáticos, material escolar, calçado, e isso também vem ajudar muito a instituição”.
Até porque, reconhece, o apoio que a Casa do Gaiato recebe do Instituto de Segurança Social dos Açores “é manifestamente insuficiente”.
“Além de todos sabermos as dificuldades pelas quais passam todas as IPSS, os contratos e os protocolos estabelecidos estão obsoletos, os valores do apoio não correspondem aos valores reais e atuais. Nós sabemos que aquilo que a Segurança Social transfere para cada criança não chega”, alerta, acrescentando que “se não fosse a participação e o envolvimento da comunidade, a instituição por si mesma não conseguiria realizar todos estes desejos, nem concretizar todos estes sonhos, nem oferecer às crianças aquilo que nós temos oferecido”.
As crianças e os jovens, afinal, são a razão da Casa do Gaiato, e com estas iniciativas e com os gestos da comunidade, elas acabam por se sentir “amadas, queridas pela comunidade”. O “Presépio Solidário”, em particular, tem um impacto, sobretudo, a nível emocional.
O Natal é, na sua essência, família, “e muitas destas crianças acabam por viver um Natal na própria instituição, sem a família à sua volta”. As que são autorizadas pelo tribunal conseguem passar junto do seu núcleo familiar, mas uma parte significativa passa esta quadra nas quatro paredes onde vive o resto do ano, com as caras de quem cuida deles todos os dias, “com muita doação, sacrifício e amor”, assinala o padre Norberto Brum.
Toda a preparação para a quadra natalícia é feita pelas crianças e jovens, com ajuda dos monitores, colaboradores e equipa técnica, desde a decoração até à confeção dos pratos que vão para cima da mesa.
“Esta iniciativa ajuda também a minimizar um pouco esta ausência da família e também a mostrar como eles são importantes para a própria comunidade, para a própria sociedade, que se preocupa também em concretizar os seus sonhos”.
E, em troca, as crianças escrevem uma carta a quem ofereceu a prenda de Natal que tanto pediram, num gesto de agradecimento a quem quis fazer daquela noite uma noite mais feliz.
