Sociedade

ARRISCA promove actividades de reabilitação social e cultural

ARRISCA promove actividades de reabilitação social e cultural

 

João Cordeiro   Regional   8 de Set de 2008, 12:28

Quais são os principais objectivos e áreas de actuação da Associação Regional de Reabilitação e Integração Sócio-Cultural dos Açores - ARRISCA?
Quais são os principais objectivos e áreas de actuação da Associação Regional de Reabilitação e Integração Sócio-Cultural dos Açores - ARRISCA?
O objectivo é reabilitar pessoas que estão em situação de exclusão social grave, como ex-reclusos, repatriados, toxicodependentes, abusadores sexuais ou abusadores de violência doméstica. Nós funcionamos como equipa multidisciplinar especializada para a exclusão, do Instituto de Acção Social.
Que expressão tem o trabalho que a associação está neste momento a desenvolver?
Estamos a acompanhar cerca de trezentos utentes, no entanto, em alguns casos, trata-se apenas de apoios pontuais, como por exemplo, encaminhamentos laborais ou encaminhamentos para unidades terapêuticas no continente. Noutros casos, fazemos acompanhamentos estruturados, sistematizados e quase diários. Deste tipo de acompanhamento beneficiam, neste momento, mais de cem utentes, com patologias e com categorias diferentes.
A situação em São Miguel é preocupante?
São preocupantes, mas muito se tem feito. Tenho que tirar o chapéu ao Governo Regional, que se tem preocupado muito com a área social, e destaco o trabalho realizado pela Secretaria dos Assuntos Sociais, a Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social, e o Instituto de Acção Social, que têm feito um grande esforço para criar, em conjunto com as instituições particulares de solidariedade social, uma rede integrada que dê resposta aos vários problemas.
Como é o processo de acompanhamento aos utentes?
Primeiro, há uma avaliação por um assistente social, por um psicólogo, e quando a pessoa é portadora de uma dependência, doença mental, ou outro tipo de patologia, é feita uma avaliação médica. Depois, estabelecemos, sempre que possível, um programa individual de reabilitação para o utente. No entanto, existem casos em que o utente não se consegue perspectivar no futuro, e cuja única preocupação é satisfazer as necessidade imediatas e materiais: dinheiro, comprimidos, comida... Nos casos em que é possível estabelecer um plano, procura-se dar respostas às necessidades de uma forma sequenciada e hierarquizada: saúde, subsistência, inserção laboral, inserção comunitária e lazer.
O importante são as competências do utente: o que é que sabe fazer, o que é que  já foi capaz de fazer e que pode vir a fazer.
Que condições são impostas aos utentes?
Regras invioláveis: agressão verbal ou física aos técnicos ou aos utentes, consumo de drogas nas instalações da associação, ou o aliciamento ao consumo. No caso de um programa livre de drogas, por exemplo, o utente não pode ter mais do que um determinado número de testes toxicológicos positivos.As regras variam também consoante as competências da pessoa e o programa em que está inserida.
Quais os principais desafios para quem se dirige à ARRISCA?
Talvez o medo de mudar e sensação de insucesso...
O primeiro desafio para os utentes é serem capazes de assumir o problema que têm, assim como pedir e aceitar ajuda.
A associação recebe muitos utentes provenientes do continente norte-americano: este aspecto é tido em conta na sua integração?
No plano de actividades procuramos incluir, não só as comemorações do calendário português, mas também as datas comemorativas dos Estados Unidos da América e do Canadá, porque apoiamos pessoas que viveram nesses países, e as pessoas só sabem para onde vão, se mantiverem ligação com aquilo que foram, de uma forma positiva.
A ARRISCAdesenvolve uma série de actividades de lazer com os utentes...
Temos uma equipa de futebol de rua e participámos nos campeonatos regional e nacional, e em Dezembro, um dos elementos da nossa equipa de futebol de rua vai integrar a selecção nacional, que vai disputar um torneio na Austrália.
Como é que esse utente recebeu a notícia?
Recebeu a notícia aos pulos! Foi um prémio pelo percurso que ele fez. A escolha, no entanto, foi feita por três instituições - ARRISCA, Novo Dia e Casa de Saúde - e teve em conta diversos aspectos: o fair play, cumprimento de regras, assiduidade nos treinos, mas também a situação em que os utentes se encontravam na sua reabilitação, de modo a garantir que se conseguiriam adaptar a uma longa viagem e integrar uma equipa diferente.
Existe também um grupo de teatro...
Temos o Teatro do Oprimido, que promove a cidadania, fazer com que a pessoa seja capaz de ter voz de uma forma positiva, sem se impor pelo murro, ou de outra forma desviante. Acaba por ser um instrumento terapêutico. E, como é interactivo, também trabalha a comunidade, no sentido que esbate os rótulos que lhes são atribuídos. Para além disto temos ainda grupos de ajuda, promovidos por uma monitora, que foi repatriada e que também passou pela reabilitação.
Que importância têm estas actividades?
As pessoas não vivem só de comida, trabalho e de bem estar físico, vivemos também de bem estar psíquico e espiritual, em termos de emoções e valores. As actividade de lazer servem para a pessoa se conhecer e melhorar a relação com os outros. As actividades são também uma forma de podermos avaliar o desenvolvimento dos utentes, porque, ao desenvolver uma actividade recreativa, o utente não se sente avaliado, não se sente num espaço formal, e age com naturalidade. Há também vantagens de se criar um ambiente, ao nível da relação, onde a hierarquia “técnico” “utente” se esbate. Isto permite obter dados importantes para a avaliação da evolução de cada caso. Estas actividades servem também para que percebam que, para além de trabalho, de consumo de drogas, e daquilo que conhecem, existe um outro mundo e uma outra forma de estar neste mundo, que dá muito mais prazer que as drogas poderão dar e que acarreta menos riscos.

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