Saúde

Antidepressivos e ansiolíticos cada vez mais utilizados

Antidepressivos e ansiolíticos cada vez mais utilizados

 

Tânia Silva   Regional   2 de Dez de 2008, 11:21

Os antidepressivos, ansiolíticos, medicamentos para dormir e antibióticos são dos medicamentos mais procurados pelos açorianos. O comodismo pode ser uma das causas para a procura de medicamentos desta natureza

“Nos Açores há maior proporção de procura de ansiolíticos, antidepressivos, medicamentos para dormir e, até mesmo, antibióticos” do que no Continente, afirma o médico e delegado de Saúde de São Miguel, Mário Freitas.
Com base na sua prática profissional, enquanto médico no continente e, de momento, na Região Autónoma,   explica  que “aqui é quase como se fosse normal tomar um medicamento para dormir ou um calmante”, factor que não se verificou com tanta frequência quando trabalhou no continente.
Mário Freitas declara que, enquanto médico, tem  a noção de que se recorre demasiado ao uso de medicamentos, apontando como possíveis culpados a sociedade actual e o comodismo por parte das pessoas.
“As pessoas fazem muito uso da medicação e acho que tem a ver com comodismo ou, até mesmo, por questões ligadas à sociedade,” alega.
“É muito mais fácil para uma pessoa tomar um medicamento para o colesterol, em vez de optar por tomar  medidas dietéticas e de fazer exercício físico, que acabariam por ter o mesmo efeito. É muito mais fácil tomar um medicamento para a acidez gástrica, do que comer alimentos saudáveis”, justifica .
Mário Freitas alerta para as  “situações-limite”, ou seja, aquelas “situações que se encontram na transição entre aquilo que é saudável ou não”.
Pois há situações que não se resolvem apenas com medidas dietéticas e com mudanças de estilos de vida, mas sim com medicação.
A nível nacional, o delegado refere que se “nota claramente que as pessoas usam e abusam da medicação”, rematando que “se antigamente existiam os “chazinhos” para tudo hoje em dia há a medicação.” 

A automedicação
É  outra prática muito comum adoptada pela grande maioria da população.
A automedicação consiste no uso de medicamentos, por conta própria, sem a orientação de um profissional da saúde.
Antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos são frequentemente consumidos sem orientação  médica. Nessa designação inclui-se a indicação de medicamentos por pessoas não habilitadas, como os amigos ou familiares.
Uma dose acima da indicada e administrada por via inadequada (via oral, intramuscular, rectal, etc.) ou a alergia a determinados ingredientes que compõem o medicamento pode transformar um inofensivo remédio num tóxico perigoso, fazendo com que a pessoas sofram reacções adversas graves ou , até mesmo, intoxicações que podem levar à morte.
Mário Freitas refere que, nos Açores, “há muita gente a auto-medicar-se e o uso abusivo dos anti-inflamatórios é um exemplo disso”. 
Na óptica do delegado de saúde de São Miguel, a automedicação “ é uma realidade indiscutível e algo a combater”.
Este gesto - explica -  pode ser realizado por  imitação, sendo muito comum que amigos e parentes tentem indicar medicamentos que foram bons para eles.
“Imensa gente toma um determinado tipo de medicação porque é a do vizinho, familiar ou o amigo toma e, como é do conhecimento geral, isso pode ter maus resultados, por isso, não é adequado”, alerta.||

Depressões
e excesso
de álcool

O último  censo psiquiátrico, realizado em todas as instituições públicas e privadas do Continente e regiões autónomas dos Açores e da Madeira, revelou  uma predominância de depressões na consulta externa, de alterações associadas ao consumo de álcool na urgência e de esquizofrenia no internamento.
Estima-se que a prevalência de perturbações psiquiátricas na população ronde os 30 por cento, sendo aproximadamente de 12 por cento a de perturbações psiquiátricas graves.
Relativamente ao abuso e dependência de álcool, as estimativas apontam para  580000 doentes alcoólicos e 750000 bebedores excessivos (síndrome de abuso de álcool), em Portugal.||TS

Antibióticos ameaça à saúde pública

Recentemente a Direcção Geral de  Saúde considerou que há médicos que receitam antibióticos sem necessidade e diz que a resistência aos medicamentos é uma das maiores ameaças à saúde pública.
A DGS afirma que Portugal é o segundo país da Europa onde se tomam mais antibióticos e admite mesmo que existem médicos a prescrever antibióticos sem necessidade: “Temos essa noção, atendendo às patologias que existem e aos antibióticos  receitados”.
Acrescenta que os médicos  sabem o que devem receitar, mas que a pressão dos doentes é mais forte.
A Ordem dos Médicos rejeita as críticas e considera que as prescrições abusivas acontecem porque os médicos precisam defender-se de acusações de negligência. ||TS

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