Açores procuram parceiros para financiar operação de navio de investigação

O presidente do Governo Regional dos Açores disse que a Região está a tentar encontrar parceiros para assegurar o financiamento da operação do novo navio de investigação ‘Azores Ocean’, que foi batizado no porto da Horta



“Esta capacidade instalada é um ‘boost’, é uma grande referência para o cluster do mar e para a investigação científica, que passamos a ter nos Açores, mas a sua operacionalização é, verdadeiramente, um peso, um custo, que temos de saber coordenar, distribuindo as oportunidades, mas também a gestão dos seus custos”, advertiu José Manuel Bolieiro, à margem da cerimónia.

De acordo com as contas do executivo de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), os custos operacionais do novo navio, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ronda os 18 mil euros/dia, valor demasiado elevado para ser suportado apenas pelo Instituto Okeanos ou pelo Instituto do Mar (IMAR), da Universidade dos Açores, que habitualmente realizam campanhas de investigação no mar dos Açores.

“Isto é um projeto de dimensão nacional e até europeia, e queremos ter parceiros para otimizar a sua utilização e, claro está, dar sustentabilidade financeira ao seu funcionamento e à sua operacionalidade”, insistiu o governante, lembrando que o navio, construído nos “Astilleros Armon”, em Espanha, custou 35 milhões de euros e representa “o maior investimento" já feito nos Açores, na área da investigação marinha.

O navio, com 46 metros de comprimento, tem propulsão diesel e elétrica, e está equipado com um ROV (veículo operado remotamente), que vai permitir realizar operações científicas até 5 mil metros de profundidade, com sistemas avançados de batimetria, sonar, acústica submarina e monitorização ambiental.

O Azores Ocean foi batizado numa cerimónia em que não participaram os responsáveis pelo Okeanos e pelo IMAR, que já tinham criticado o Governo em agosto, quando o navio chegou aos Açores, por não terem sido convidados a visitar a embarcação, mas o Governo desvaloriza essas ausências.

“Isso responsabiliza os próprios. Eu fui sempre claro. Eu conto com a Universidade dos Açores e tenho feito um elogio e um reconhecimento ao Okeanos, ao IMAR, aos nossos investigadores. Eles são merecedores do nosso apreço e do nosso reconhecimento e estamos a trabalhar para que os dotarmos de mais capacidades”, referiu José Manuel Bolieiro, adiantando que o nono navio estará sempre “de portas abertas”.

Antes da cerimónia do batismo do Azores Ocean, teve lugar a tomada de posse do primeiro comandante do navio, o capitão-de-fragata Pedro Vieira, natural da ilha Terceira, que com uma guarnição da Marinha Portuguesa irá garantir a operação náutica da embarcação, ao passo que a empresa pública Atlânticoline fica responsável pelo apoio logístico, abastecimentos, manutenção, docagens e certificações do navio.

O executivo açoriano convidou para madrinha do “Azores Ocean”, a oceanógrafa e exploradora norte-americana Sylvia Earle, de 91 anos de idade, a primeira mulher a exercer o cargo de cientista-chefe da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera, e liderou mais de uma centena de expedições científicas.


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