Língua

Acordo ortográfico permitirá consolidação do português no mundo


 

António Sampaio, Lusa / AO online   Internacional   13 de Out de 2008, 21:40

O acordo ortográfico permitirá cimentar o papel da Língua Portuguesa no mundo, um processo que necessita em paralelo de um esforço de promoção da língua nos países onde se fala espanhol, defendeu o Presidente brasileiro.
"O acordo ortográfico procura aproximar o idioma usado nos países lusófonos. E também tem como objectivo reforçar a presença do português no mundo", afirmou Luiz Inácio Lula da Silva, em Toledo (Espanha).

    "Estou convencido de que as nossas línguas (português e espanhol) devem aproximar-se cada vez mais. Realizamos acções para divulgar o espanhol no Brasil mas apoiamos iniciativas para divulgar o português nos países de fala espanhola", disse.

    O Presidente brasileiro discursava depois de ser galardoado, a par do escritor mexicano Carlos Fuentes, com a primeira edição do Prémio Internacional D. Quixote de La Mancha, que no caso de Lula da Silva reconhece o seu papel na promoção do espanhol no Brasil.

    "Com milhões de brasileiros estudando o espanhol desde a infância, tenho a certeza de que a integração regional e as relações com os nossos parceiros ibéricos terão bases muito sólidas para o futuro", frisou.

    Um processo, explicou, que permitirá consolidar a integração regional, na América Latina, mas que, se for recíproco e centrado no intercâmbio, "fortalecerá a parceria" no espaço ibero-americano.

    Até pode ajudar a que no futuro "tenhamos mais autoridades, além de sua majestade o rei de Espanha, a falar português com fluência (…) e menos autoridades brasileiras a falar portunhol", ironizou.

    Actualmente, já estudam o espanhol como segundo língua mais de nove milhões de alunos brasileiros, um número que será aumentado para 12 milhões até 2010, mediante um sistema que envolverá mais de 30 mil professores e no qual se destaca o apoio do Instituto Cervantes.

    Na sua intervenção de agradecimento, Lula da Silva aludiu a D. Quixote para defender que hoje, mais do que nunca, "o mundo em transição" requer a audácia e imaginação" demonstrada pela personagem de Cervantes.

    "Só com a imaginação não mudamos a realidade mas sem a imaginação corremos o risco de ficar presos a um cinzento conformismo", disse, defendendo por isso o papel da cultura através da qual a humanidade se afirma e expressa "livremente".

    "A cultura ilumina, é um factor de inclusão social, de cidadania, de afirmação colectiva. No mundo globalizado, a cultura fortalece a soberania e a identidade nacionais mas, ao mesmo tempo, é portadora do universalismo", sublinhou.

    Mais do que um diálogo económico, Lula da Silva defende por isso a cultura como veículo para consolidar a integração regional, consolidar os projectos de desenvolvimento social, ultrapassar a pobreza e conquistar a dignidade".

    "Precisamos lançar um diálogo entre as sociedades que desejam e precisam de conhecer-se melhor (…) e que inclui necessariamente Espanha e Portugal", disse.

    "O que nos une é justamente a cultura, a vivência histórica compartida de duas línguas irmãs. Queremos que o idioma de um fortaleça a parceria com o outro", sustentou.

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