A corrida das flores e dos voluntários no Senhor Santo Cristo (Com Fotos)

No Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, as flores chegam sem parar, às dezenas



Entram pelo corredor nos braços dos voluntários, passam de mão em mão e de caixote em caixote também, são desfolhadas, limpas, preparadas e depois postas em arranjos que, dentro de algumas horas, vão cobrir a Igreja de Nossa Senhora da Esperança. 

O ambiente é de correria e companheirismo, com tesouras, baldes e restos de flores espalhadas pelo chão. Há gargalhadas, fé, cansaço e também ansiedade, porque, como diz Paulo Jorge Almeida, responsável pela decoração do Coro Baixo pela terceira vez, “parece que estamos a acabar, mas quanto mais fazemos, mais flores aparecem”. Mas no fim, aconteça o que acontecer, tudo tem de estar pronto.

Há cerca de 30 voluntários envolvidos nas decorações deste ano: uns fazem os arranjos, outros limpam as flores, também há quem transporte as bases dos arranjos e outros varrem o chão: “Só com a ajuda de todos é que conseguimos fazer”, sublinha Paulo Jorge Almeida, que já faz parte disto há 25 anos.

Este ano, o Coro Baixo inspirou-se no tema “Caminho e Vida”, representado pelas cores das flores. O branco simboliza a paz e a simplicidade; o amarelo, a felicidade e a alegria; o laranja, a prosperidade e a fidelidade; o rosa, o amor e a calma; e o vermelho lembra que “na nossa vida nem tudo é rosas, nem tudo é branco, que temos altos e baixos e isso também está representado”, explica.

Na igreja, a decoração conta com outra inspiração, Paulo Moura, responsável pelos arranjos do altar, inspirou-se no Evangelho de São João: “Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. A partir desta ideia, imaginou uma decoração feita de ligações, explica que os arranjos vão descer desde o topo do trono até à parte inferior da igreja, todos unidos entre si, mas diferentes. 

“Tal como nós, somos todos diferentes uns dos outros, mas estamos ligados”, acrescenta. Para Paulo Moura, a mensagem que quer passar é a de um amor “que não olha às diferenças” e que “não tem medida”.

Para tornar possível esta inspiração, ao seu lado tem Pedro Alves, de 24 anos, um dos poucos jovens envolvido nas decorações. Começou o ano passado, a convite de Paulo Moura, e voltou este ano para ajudar na ornamentação da igreja. Diz que voltou por “vontade, gosto, mas acima de tudo, pela devoção” e que o ambiente também fê-lo ficar: “A gente dá-se todos muito bem, trabalhamos todos juntos e estamos aqui para o mesmo”. E garante que vai continuar.

Eduardina Peixoto é uma das voluntárias mais antigas daquela casa, faz parte da festa há 32 anos, só houve um ano que faltou e só aconteceu por ter sido operada. 

Vem do Faial todos os anos de propósito para esta festa, e apesar de ter medo de andar de avião, não deixa de estar presente: “Foi o Senhor que me prendeu aqui”, diz, enquanto limpa as flores que chegam.

Começou por vir com uma amiga, ao longo dos anos criou amizades e um sentimento de pertença que já faz parte da sua vida. Este ano chegou terça-feira e regressa ao Faial na segunda-feira: “Só vim mesmo por causa desta festa”.

Eduardina Peixoto começa por volta das oito e meia da manhã e fica até “Deus quiser”. Conta que agora há mais voluntários e mais movimento e isso nota-se logo à entrada com flores a chegar a toda velocidade. Para dar conta do recado, uns preparam, outros limpam e outros montam e pelo meio há a angústia de não conseguir acabar a tempo. Ainda assim, ninguém duvida que tudo ficará pronto a tempo, porque como disseram “no sábado já é tarde, o Senhor já não está na igreja”. 

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