2008: UM ANO DE MUDANÇA

2008: UM ANO DE MUDANÇA

 

Paulo Simões   Regional   28 de Nov de 2008, 22:56

O ano que agora termina promete ficar para a história como o começo do fim de um ciclo que contribuiu de forma inequívoca para uma melhoria da qualidade de vida nos países tidos como desenvolvidos, embora agravando o fosso entre pobres e ricos.
O ano que agora termina promete ficar para a história como o começo do fim de um ciclo que contribuiu de forma inequívoca para uma melhoria da qualidade de vida nos países tidos como desenvolvidos, embora agravando o fosso entre pobres e ricos.
Se é verdade que nem todos os analistas aceitem que estamos a viver um final de ciclo, também é verdade que a maioria parece estar de acordo que o mundo está a passar por uma profunda fase de mudança. E um dos paradigmas que vai ter que mudar e que já está, de resto, a ser alvo de profunda discussão, é o do modelo económico; e se o modelo de base, de inspiração capitalista, não parece em risco de vir a ser abandonado, o mesmo já não se pode dizer dos mecanismos de regulação e de supervisão que, a avaliar  pelos cenários de quase colapso de muitas das principais instituições financeiras e, por arrasto, de diversas empresas, muitas delas gigantes multinacionais, falharam de forma absolutamente incrível.  Tal como é incrível que se tenham ignorado os primeiros sinais de que os mecanismos de regulação não funcionavam bem: alguém ainda se lembra do escândalo da Enron? E de quanto se falou na necessidade de adoptar novas regras contabilísticas e apertar os processos de regulação? Espera-se que desta vez, e aparentemente é o que está a acontecer, o medo, por vezes pânico, que a crise do subprime gerou e ainda gera um pouco por esse mundo fora, sirva de motivação para um repensar profundo do modelo económico e dos seus mecanismos de regulação.
Serve esta introdução para falar da economia açoriana, até agora relativamente protegida da tempestade que assola o exterior. As nossas empresas não são imunes às intempéries que vêm dos lados da Europa e das Américas, embora o reduzido peso que as exportações representam nos negócios dos nossos gestores tenham, como lado menos mau, uma reduzida exposição às mudanças de humor da economia global. Ainda assim, e por via dos apertos financeiros ditados pelo Banco Central Europeu, e pelos países exportadores de petróleo, o poder de compra nos Açores caiu e em consequência disso o comércio local também começa a ressentir-se. Com menos dinheiro no bolso e mais despesas fixas para pagar, os açorianos têm vindo a cortar no que consideram acessório. Esse é o outro lado da moeda: sem uma forte componente de exportação, o mercado açoriano vive alicerçado no consumo interno e nas verbas de Bruxelas. Um cenário que tem funcionado bem em tempos de prosperidade mas que pode rapidamente deixar muitas empresas, sobretudo as de menor dimensão, com o credo na boca. Os primeiros sinais já aí estão, resta-nos esperar e desejar que o pior já tenha passado.

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