Os dois líderes reuniram-se à margem de uma cimeira de dois dias entre chefes de Estado e de Governo da União Europeia, na qual Zelensky foi convidado a participar na sexta-feira.
"Informei detalhadamente o primeiro-ministro sobre o terror russo e as nossas necessidades", explicou o Presidente ucraniano numa mensagem nas redes sociais.
Zelensky salientou que, neste momento, os F-16 "estão a contribuir de forma significativa para repelir os ataques dos 'Shaheds' (drones russos) com motores a jato".
"Estamos a colaborar com a Bélgica para receber mais caças o mais rapidamente possível. Também debatemos a possibilidade de receber fornecimentos adicionais de munições para os mesmos", enfatizou.
Agradeceu ainda ao primeiro-ministro belga e a todo o país "pela ajuda e pela disponibilidade para continuar a apoiar os esforços para proteger vidas".
Zelensky foi também recebido pelo rei Filipe dos belgas, a quem disse que, atualmente, a Ucrânia "vive sob constantes ataques russos com mísseis e drones" contra "cidades e comunidades".
Neste contexto, enfatizou a importância de que os ativos russos, congelados por sanções em território da UE, "permaneçam imobilizados".
"Enquanto a guerra continuar, a Rússia não deverá receber nada que possa investir em mais massacres e desestabilização na Europa", concluiu.
Embora vários países da UE tenham reavivado o debate sobre a possibilidade de utilizar estes ativos russos em favor da Ucrânia, persistem as dificuldades e a resistência de Estados como a Bélgica — que alberga a maior parte destes fundos na empresa Euroclear e teme represálias caso sejam utilizados.
Zelensky realizou ainda, em Bruxelas, reuniões bilaterais com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen; com o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk; e com o Presidente francês, Emmanuel Macron, que lhe prometeu que a França vai continuar ao lado da Ucrânia.
Kiev reportou cortes de emergência no fornecimento de energia na quarta-feira, após mísseis russos terem atingido as três centrais termoelétricas que operam na capital ucraniana e na região envolvente.
Foram ainda anunciados cortes em Kharkiv, que também foi alvo deste último ataque de mísseis russos contra instalações energéticas.
No sábado, Trump propôs às duas partes uma moratória de 60 dias sobre os ataques a refinarias e infraestruturas energéticas, uma iniciativa que tanto Moscovo como Kiev se têm acusado de não respeitar e que coincidiu com o levantamento das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo.
Desde então, tem crescido a pressão de Washington para que a Ucrânia suspenda os ataques contra estas instalações, a par de duras críticas de Trump a Zelensky, sob a ameaça de interrupção do fluxo de informações secretas — essenciais para deter ataques russos — e da suspensão das comunicações via Starlink, a rede de Internet da SpaceX, do empresário norte-americano Elon Musk.
O chefe de Estado ucraniano afirmou que a ofensiva russa em grande escala, ocorrida nos últimos dias contra o setor energético, outras instalações e o parque habitacional ucranianos, já anteriormente por ele referida, é a resposta de Moscovo «a mais uma tentativa do Presidente norte-americano para reduzir a intensidade dos ataques».
Sublinhou que as refinarias e outras infraestruturas do setor energético russo voltarão a ser alvos do Exército ucraniano, em reação à recusa de Moscovo de aderir ao plano de Trump e denunciou ainda que foram deliberadas as falhas nas comunicações via satélite da Starlink, sistema fundamental para comunicações militares, que levaram à suspensão de algumas missões.
Anteriormente, a Rússia informou que a Ucrânia atacou uma refinaria na região de Ryazan, a 200 quilómetros de Moscovo, na noite passada, e na quarta-feira acusou Kiev de atacar outras duas nas regiões de Saratov e Ryazan.
O Kremlin tinha garantido na véspera que o acordo sobre a trégua energética entre a Rússia e a Ucrânia nunca foi fechado, pelo que não se pode dizer que a Rússia o esteja a violar.
Zelensky salientou que este tipo de ofensiva, «no contexto das restrições às operações da Starlink na Ucrânia», representa um «grande desafio», tornando-se fundamental que os países da Aliança Atlântica continuem a colaborar com as forças ucranianas.
«Isto é especialmente verdade no que diz respeito aos intercetores balísticos e às munições para os [caças] F-16», afirmou o Presidente ucraniano, que debateu estas e outras questões com Mark Rutte, secretário-geral da quem agradeceu o apoio.
