Wall Street fecha em baixa cada vez mais preocupada com preços da energia

A bolsa nova-iorquina encerrou em baixa, a concluir uma semana marada pelos receios cada vez mais fortes relativos à subida dos preços da energia causados pelos ataques israelo-norte-americanos ao Irão.



Os resultados da sessão indicam que o Dow Jones Industrial Average recuou 0,97%, o tecnológico Nasdaq caiu 2,01% e o alargado S&P500 perdeu 1,51%.

"Com a aproximação do fim de semana, os investidores estão, sem surpresa, algo nervosos quanto ao que se poderá passar" nos próximos dias na frente militar, disse Angelo Kourkafas, da Edward Jones, em declarações à AFP.

Donald Trump rejeitou a probabilidade de um cessar-fogo como o Irão, três semanas depois do início dos ataques israelo-norte-americanos.

Mais cedo, o novo líder iraniano, Mojtaba Khamenei, assegurou que o Irão tinha infligido "um golpe vertiginoso" aos inimigos.

"Quanto mais durar a guerra, mais as repercussões económicas serão importantes", preveniu Angelo Kourkafas.

No conjunto da semana, o S&P500 perdeu 1,90%.

"O risco suplementar esta semana foi o dos desgastes causados às infraestruturas energéticas", destacou Kourkafas.

O principal local mundial de produção de gás, situado no Qatar, sofreu estragos relevantes depois de atacado pelos iranianos. 

Outros locais de produção no Golfo Pérsico, bem como refinarias, foram também alvo de ataques, tanto de iranianos como de israelitas.

O risco é o de, mesmo no caso de um fim rápido do conflito, a produção mundial continuar aquém do nível anterior aos ataques israelo-norte-americanos durante algum tempo.

Para Angelo Kourkafas, "a subida dos preços do petróleo não só mantém o nervosismo nos mercados bolsistas, como também modifica as expectativas em termos de taxa de juro".

Antes dos ataques iraelo-norte-americanos ao Irão, os investidores antecipavam uma redução da taxa de juro de referência da Reserva Federal em junho ou julho.

Agora, não só não esperam qualquer corte durante este ano, como alguns até admitem um endurecimento da política monetária para conter a inflação, segundo o observatório CME FedWatch.

"Esta combinação tóxica inquieta os analistas quanto à capacidade de as empresas manterem a capacidade de crescimento", salientou Jose Torres, da Interactive Brokers.


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