Vides do Douro transformadas em combustível sólido inteligente

Vides do Douro transformadas em combustível sólido inteligente

 

Lusa/AO online   Nacional   16 de Out de 2012, 12:05

O investigador Pedro Teixeira quer aproveitar as vides do Douro para a produção de um "combustível sólido inteligente", que vai queimar à medida, com mais chama ou mais brasa, quer seja para um assador ou para uma lareira.

Após as vindimas na Região Demarcada do Douro, as videiras têm de ser limpas, podadas. Estes resíduos, as vides, são normalmente triturados ou queimados.

Um “desperdício” de recursos que Pedro Teixeira, de 40 anos, resolveu aproveitar. E assim nasceu o Projeto Da_Vide.

Primeiro, foi o artesanato e agora o “combustível sólido inteligente”.

Usar apenas as vides para alimentar uma fogueira não é uma boa solução, porque é um material pouco denso, muito leve, sendo necessário um grande volume para substituir um cavaco de madeira.

Depois de estudar este resíduo, Pedro Teixeira concluiu que se trata de biomassa com uma grande capacidade energética, constituída por componentes diferentes, com também diferentes características em termos de combustão, que a fazem “extraordinária”.

“Isto faz com que possamos desenhar um combustível à medida, em função da utilização que se pretenda”, afirmou à agência Lusa.

A ideia passa por fazer placas, recorrendo à compactação das vides, juntando várias camadas de diferentes espessuras. Depois, a constituição interna será o próprio investigador que a vai definir.

Ou seja, pode-se fazer um combustível com uma ignição rápida e que faça mais brasa para um assado, ou mais chama para alimentar uma lareira. Com este processo, pode ser controlado o tempo e a potência com que o combustível vai ser queimado.

Pedro Teixeira garantiu que a tecnologia aplicada é simples. Passa pela seleção dos componentes da vide, depois pelo processo de secagem e o índice de compactação, uma das variáveis que influencia na combustão (com baixa densidade arde mais com chama).

Depois, de acordo com o responsável, há ainda a característica do sabor. É que, na sua opinião, as vides, para além de assarem, também temperam.

“O próximo passo é pegar em toda a ciência desenvolvida em torno dos vinhos e que tem a ver com o paladar e tentar transferir parte desse conhecimento para a tecnologia das vides”, sublinhou.

Em termos médios, a densidade de plantação no Douro anda à volta dos cinco a seis mil pés (videiras) por hectare. A região demarcada possui 45 mil hectares. Segundo o investigador, a quantidade de lenha de poda que resulta anualmente de uma videira com vigor médio é de aproximadamente 800 gramas.

Isto quer dizer que são muitas as toneladas de vides que, neste momento, estão a ser “completamente desperdiçadas”.

Para apresentar este projeto, está a ser preparado um magusto em que as pessoas vão ser convidadas a levar o seu próprio combustível, quer seja lenha ou carvão, para fazer uma espécie de competição. “Nós vamos tentar fazer melhor do que todos os outros”, frisou.

Mas as aplicações para as vides não ficam por aqui. Pedro Teixeira está a desenvolver estudos em outras áreas como a indústria de componentes e acessórios, engenharia e tecnologia e ainda design, decoração e moda.


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