Utilizadores do Google devem aprender a usar instrumento poderoso

Utilizadores do Google devem aprender a usar instrumento poderoso

 

Lusa/AO Online   Nacional   26 de Set de 2013, 08:52

O especialista em segurança na Internet Nuno Moreira defendeu a necessidade de educar os utilizadores do motor de busca Google, um instrumento que considerou "muito poderoso" e que é usado por 96% dos cibernautas portugueses.

 

"A Google revolucionou completamente a forma de fazermos as nossas pesquisas, já é uma mudança cultural, e tornou possível o acesso a informação em qualquer sítio a qualquer hora", disse o gestor de Projeto do Centro Internet Segura na Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Nuno Moreira falava à agência Lusa a propósito dos 15 anos da Google, que se assinalam na sexta-feira, embora a empresa tenha arrancado a 4 de setembro de 1998 e o registo do domínio Google.com tenha acontecido a 15 do mesmo mês.

A par das vantagens de tornar possível o acesso a um manancial enorme de informação a partir de uma palavra ou expressão, sobre situações, lugares (até através da consulta de mapas) ou pessoas, esta ferramenta também pode ter associadas desvantagens, muitas vezes relacionadas com segurança ou quebra de privacidade, "dependendo da utilização que lhe é dada".

Nuno Moreira realçou a importância da "segurança online e a exposição a conteúdos maliciosos ou impróprios, nomeadamente de crianças e jovens".

Uma criança pode estar a pesquisar sobre gatos e saber que em inglês é ´pussy´, mas esta palavra também tem outro significado e, se procurar imagens aparecem-lhe gatos, mas também fotografias de teor pornográfico, exemplificou.

O Google criou uma quantidade de ferramentas agrupadas no ´savesearch´ (procura segura) a ativar comandos de modo a que determinado teor não apareça nas pesquisas, uma possibilidade que nem todos os utilizadores sabem.

Por isso, Nuno Moreira realçou a importância de ensinar aos utilizadores a forma correta de tirar vantagens das enormes potencialidades do motor de busca, uma preparação que já acontece nas escolas, mas talvez "não aconteça tanto em casa".

"Devia haver de uma forma mais generalizada na sociedade para termos a noção de direitos de autor", por exemplo.

Alertou igualmente para a quebra de privacidade visível quando se efetua uma pesquisa com o nome de uma pessoa e é possível obter a sua morada ou outros elementos.

Este é um dos instrumentos que refletem o desenvolvimento da tecnologia nos últimos anos, uma evolução "muito mais rápida que os comportamentos", segundo a análise de Nuno Moreira.

Aliás, a título de exemplo, disse que "existe hoje mais tecnologia num ´smart phone´ do que existia na nave Apolo 11 [nave espacial da NASA que pousou na lua em 1969] que era operada por cientistas e ´um smart phone´ é operado por um indíviduo comum, um jovem ou uma criança".

Esta constatação, "ajuda-nos a pôr as coisas em perspetiva, como possuímos agora este tipo de ferramenta, é necessário que toda esta evolução tecnológica seja acompanhada de uma forte educação para os media", salientou.

O gestor de projeto da FCT disse ainda que "a tecnologia em si é neutra, nem é boa nem má. O que é boa ou má é a forma como a utilizamos, como a integramos e adaptamos".

 



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