Segundo o Relatório Anual de Gestão do Tribunal Judicial da Comarca (TJC) dos Açores, divulgado pela juiz presidente Patrícia Pedreiras, em 2025, “o TJC/Açores manteve a linha de diminuição geral das pendências” de menos 10,04% da estatística oficial e de 3,91% da estatística de secretaria.
De acordo com o documento, “o mérito de uma tal evolução não pode ser questionado num contexto de certa turbulência dos tribunais motivada por várias greves de oficiais de justiça, que marcaram os anos 2023 a 2025”.
Também é referido, entre outras razões, que o quadro de oficiais de justiça “se mostrou deficitário […] entre 10,45 e 12,44%” e que ocorreu “uma taxa de absentismo de cerca de 15,36%”.
A taxa de litigância (número de ações judiciais por mil habitantes) “não aumentando e mesmo diminuindo ligeiramente, ainda se mostra muito elevada (70,22%)”, indicou.
No ano passado, tendo como referência o anterior, foi obtido “um dos melhores resultados (o segundo) a respeito da duração média dos processos (170 dias) e o melhor resultado de sempre a respeito dos processos pendentes há mais de três anos (6,16%, sendo que em 2024 tal taxa montava a 9,91%, em 2023 cifrava-se em 12,76%, em 2022 em 15% e em 2021 em 21%)”.
O relatório indica que “foi genericamente cumprido o objetivo em termos de dilações de diligências (entre um mês e meio e três meses) e o da pontualidade no início delas, mantendo-se as prescrições em níveis residuais (total de nove)”.
Durante o ano de 2025, o TJC/Açores esteve, “por ausências com distintas justificações”, privado de alguns dos seus juízes “por um período, por junto, de 851 dias (quase mais 150 dias do que em 2024 e cerca de mais um terço do que em 2023”, o que “colocou em tensão os recursos humanos disponíveis”.
O quadro legal atual do TJC/Açores é de 32 juízes, sendo que no período de referência estiveram em funções entre 32 e 34 juízes.
Em relação a obras, o relatório refere que foram lançados, em junho, os concursos de empreitada para reabilitação dos Palácios da Justiça de Santa Cruz das Flores (ilha das Flores) e da Ribeira Grande (São Miguel).
Para o concurso de Santa Cruz das Flores, com valor base de 750 mil euros, houve concorrentes, prevendo-se que a consignação da obra possa ser feita no primeiro trimestre de 2026.
Quanto à Ribeira Grande, não houve concorrentes, “pelo que foi necessário rever e aumentar o valor base para 725 mil euros, aguardando reforço orçamental”, existindo a garantia “de que essa obra se iniciará em 2026”.
Em novembro de 2025 também foi lançado o concurso público para a empreitada de remodelação do Palácio da Justiça de Ponta Delgada (São Miguel), com valor base de 1,4 milhões de euros.
“Como vem sendo dado conta em relatórios anteriores, e a acrescer aos três concursos atrás referidos, há necessidade de se realizarem obras profundas de remodelação total do Palácio da Justiça de Praia da Vitória [Terceira], bem como de intervenção em algumas partes estruturais no Palácio da Justiça da Horta [Faial]”, adiantou.
Ainda de acordo com o relatório, embora da responsabilidade da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), mas a executar pela Comarca dos Açores, “ficaram por realizar duas empreitadas de remodelação das instalações sanitárias dos Palácios da Justiça da Povoação [São Miguel] e de Praia da Vitória [Terceira], apesar de se terem iniciado novos procedimentos em setembro de 2025, mas que até ao momento não obtiveram cabimentação por parte da DGAJ”.
Tribunal Judicial da Comarca dos Açores reduz processos pendentes em 10,04% em 2025
O Tribunal Judicial da Comarca dos Açores registou em 2025 uma diminuição de 10,04% nas pendências oficiais (processos ainda sem decisão) e de 3,91% nas pendências de secretaria (com decisão, mas por arquivar), foi revelado.
Autor: Lusa
