Habitação

Sindicato de inquilinos espanhol diz que luta "é a mesma" nos dois países

Um porta-voz do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, em Espanha, considerou que a luta pela habitação nos dois países “é a mesma” e manifestou-se otimista quanto ao avanço de uma greve geral ibérica



“Acho que somos iguais, que a luta é a mesma em Espanha e em Portugal, está muito intimamente ligada, porque somos países, sociedades e culturas irmãs”, afirmou à agência Lusa Pablo García Bachiller.

Antes do início da concentração que decorre em Évora, o sindicalista frisou que o movimento em prol de uma habitação a preços dignos, “neste momento, na Europa tem essa capacidade de construir em rede e é o mesmo, também em França, na Alemanha, em Itália, em Inglaterra”.

Pablo García Bachiller, que está em Évora a participar na iniciativa cultural “RAIO DA RAIA! – Uma topia en curso”, do Institute of Radical Imagination, disse que tem aproveitado estes dias em Portugal para contactos em prol de uma greve geral ibérica a 11 de novembro.

“Temos vindo a estabelecer contacto com organizações de base ligadas ao movimento pela habitação em Portugal”, disse, aludindo à Assembleia de Moradores de Lisboa e a organizações no Porto, tendo também já marcado presença na concentração que decorreu em Évora na quarta-feira.

Além disso, o mesmo responsável, que é arquiteto e urbanista, garantiu que o sindicato que representa está interessado na colaboração com as duas centrais sindicais portuguesas e os sindicatos da função pública.

Essas estruturas sindicais, como a CGTP e a UGT, “têm uma capacidade real de mobilização em grande escala”, realçou Pablo García Bachiller, manifestando estar “muito otimista” sobre o avanço da greve geral ibérica.

“Estive aqui na assembleia que foi convocada no outro dia, em Évora, e uma das coisas que propusemos foi um grito: ‘Da Espanha a Portugal, a greve geral’”.

De acordo com o representante, “foi um grito replicado muitas vezes” nesse protesto em Évora porque “as pessoas entendem que se trata de uma ferramenta coletiva que ultrapassa a fronteira”.

“E estou convencido de que isso [greve ibérica] pode ser possível em Portugal”, afiançou.

Pablo García Bachiller afirmou que o Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid considera-se “um movimento irmão das acampadas que estão a decorrer em Portugal” e, por isso, está disposto a “colaborar, a negociar e a impulsionar esta greve geral ibérica”.

Mas, mesmo que tal não se concretize em conjunto, “o dia 11 de novembro será um dia de ações coletivas que consigam reproduzir, com certeza, este grito em Portugal”, prometeu.

O porta-voz deste sindicato espanhol, existente há 10 anos e que serve para organizar “o conflito e a negociação coletiva no âmbito do arrendamento e do direito à habitação”, representando os inquilinos face aos proprietários, opinou que é preciso união para se ter ‘voz’.

“Se enfrentarmos esta necessidade no âmbito da habitação de forma individual, estamos sempre a perder, mas se, em vez disso, organizamos esta luta de forma coletiva, podemos conseguir negociar e organizar o conflito, ao nível do edifício, mas também ao nível popular na cidade e perante o Estado”, argumentou.

Questionado pela Lusa sobre se este tipo de sindicato deveria existir em Portugal, o sindicalista disse que os recentes protestos e acampadas no país mostram que a organização coletiva “já está a acontecer”.

“Essas organizações de base estão a começar a crescer”, sublinhou, qualificando como “redutora” a visão que diz estar a ser transmitida pelos órgãos de comunicação social que “retratam um conflito entre as acampadas e a polícia”, contrapondo que “o conflito é entre os moradores e os proprietários”.


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