O fotógrafo e documentarista Timothy Lima vai estar na Terceira para orientar, de 6 a 8 de novembro, no Instituto Açoriano de Cultura, o workshop “Presença e Narrativa Visual”. A formação é dedicada à fotografia documental e à construção de narrativas através da imagem.
A formação combina sessões teóricas, exercícios práticos de fotografia de rua e documental, edição e seleção de imagens, culminando na construção e apresentação de pequenas narrativas fotográficas.
No dia 8 de novembro, Timothy Lima apresenta também, no Centro Cultural de Angra do Heroísmo, o documentário Guardians of Zululand, uma obra filmada em novembro de 2025, na região de KwaZulu-Natal, na África do Sul.
O documentário acompanha o trabalho desenvolvido pelo Zululand Rhino Orphanage e pelo Zululand Conservation Trust na proteção e conservação dos rinocerontes, uma espécie ameaçada pela caça furtiva.
“Aquele local não é só um orfanato de rinocerontes. Existe toda uma moldura humana que existe ali para fazer funcionar algo que é extraordinário. É uma equipa muito grande em termos de rangers e de cuidadores, para além de outras estruturas de pessoas que existem para fazer com que tal iniciativa seja possível. É a dedicação das pessoas que faz com que aquele projeto funcione”, explica Timothy Lima, em declarações ao Açoriano Oriental.
O percurso de Timothy Lima
Natural da ilha Terceira, Timothy Lima foi professor de enfermagem durante 20 anos, tendo decidido demitir-se há cerca de três anos com o objetivo de assumir a sua “paixão pela imagem, relacionada com a fotografia e com o vídeo”.
“Tenho tido uma relação mais estreita com a parte do trabalho documental, nomeadamente na área humanitária. Graças a isto tenho viajado imenso”, indica o fotógrafo.
“Eu estive, por exemplo, em Bangladesh, em campos de refugiados. Foi uma experiência que me marcou muito por ter tido contacto com diferentes comunidades e ter estado a trabalhar com refugiados de diferentes etnias. Foi esta experiência que contribuiu para que tomasse a decisão de abandonar a minha carreira de docente”, admite.
Para além destas experiências, o antigo professor também já esteve presente em atividades que, segundo o mesmo, “são recheadas de ensinamentos e mostram formas de estar na vida completamente diferentes”.
“Há pouco tempo fiz parte da equipa de media do festival Burning Man, no estado do Nevada, nos Estados Unidos. É um evento que aborda a questão da liberdade e de haver diferentes formas de se estar na vida. Muitas pessoas vão para lá à procura de se expressarem e de serem elas próprias”, indica.
“A minha fotografia vive muito do contacto com as pessoas. Às vezes, primeiro temos que baixar a câmera para ter uma interação com a pessoa, uma interação mais humana, com mais contacto, para poder chegar a uma fotografia mais real, mais natural e mais verdadeira”, descreve o documentarista.
Com um máximo de 15 participantes, o workshop “Presença e Narrativa Visual” é acreditada com 0,6 ECTS, apresentando um custo de 175 euros. Para realizar a inscrição, é necessário enviar mensagem para o email do Instituto Açoriano de Cultura. Já a entrada para assistir ao documentário é gratuita.
