Num comunicado em que se refere a várias decisões ou momentos que ocorreram nos últimos dias, em que o movimento Acampada não teve presença organizada na comunicação social e, na praça, não promoveu assembleias populares, o foco que pretende colocar é na manifestação de sábado, pelas 16:00, da Praça da Batalha até à Praça D. João I, onde às 19:30 se realizará uma assembleia popular.
A Acampada confirma ainda ter “recebido oficialmente o convite da Câmara do Porto na segunda-feira”, para se reunir com o presidente, Pedro Duarte, e não quer “fechar linhas de diálogo”, mas reitera “a vontade de dialogar e discutir soluções em assembleia popular”.
“O convite proposto será analisado em assembleia popular, onde todos terão oportunidade de debater e decidir os passos a seguir, de forma horizontal e democrática”, garante.
De resto, o formato de reunião já tinha sido discutido numa das assembleias populares que têm sido promovidas na praça, tendo as pessoas então presentes votado pelo convite a que o autarca descesse ao local onde se encontram a protestar.
Os organizadores reiteram que “a luta principal da acampada não se restringe à câmara e não é contra o seu presidente”, exigindo “respostas e soluções para a crise habitacional em todo Portugal”.
“O que a Acampada não reconhece, todavia, é uma vontade genuína por parte do governo, municipal e nacional, de dialogar. Não se dialoga com agressões, detenções e apreensões abusivas e ilegais. Urge saber quem deu as ordens às forças policiais no Porto e em Lisboa”, critica.
O movimento deixa várias críticas quer ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, quer a vários outros ministros, da Administração Interna, Luís Neves, e da Defesa, Nuno Melo, por declarações sobre as acampadas e pela “promoção da estapafúrdia nova lei da habitação”.
Pedindo que seja reconhecido que há um problema para discutir soluções, criticam que o Governo ignore o tema e “proteja os interesses económicos dos agentes da especulação e gentrificação que sufocam os portugueses”.
Quanto a declarações de Nuno Melo sobre o sotaque “curioso” de porta-vozes das acampadas, o movimento “repudia” e critica que a “única preocupação quanto à habitação seja a entrada descontrolada de imigrantes no país”.
“As declarações são particularmente graves porque procuram descredibilizar uma mobilização social legítima e necessária”, lembram.
O movimento sustenta que luta por um problema que ultrapassa o Porto, Portugal e a própria Península Ibérica, e que há muitos migrantes em Portugal que sofrem com a questão, assim como “cinco milhões de portugueses que residem no estrangeiro” e também são afetados.
Nos últimos dias, recordam, foi aprovado articular uma greve geral ibérica em defesa da habitação com acampadas de Espanha e Portugal, e a articulação com a luta estudantil por mais serviços de ação social, ampliação da habitação universitária e contra o aumento das propinas.
Pedindo à comunicação social, a quem agradece o trabalho, que não use o termo “líder” para se referir a qualquer porta-voz, o movimento esclarece que a partir de hoje vigorará um sistema rotativo de porta-vozes indicados pela organização, mediante horário definido.
