Aproveitamento energético através da reciclagem

Seis mil toneladas de pneus servem para produzir energia

Seis mil toneladas de pneus servem para produzir energia

 

Olímpia Granada   Regional   25 de Set de 2007, 17:31

Nos Açores foram acumuladas mais de seis mil toneladas de pneus (passivo ambiental). Climénia Silva, directora geral da Valorpneu, Lda, entidade responsável pela coordenação das operações de gestão de pneus usados a nível nacional e uma das intervenientes no seminário “Visão Global de Gestão de Resíduos” que amanhã tem lugar em Ponta Delgada
Nos Açores foram acumuladas mais de seis mil toneladas de pneus (passivo ambiental). Climénia Silva, directora geral da Valorpneu, Lda, entidade responsável pela coordenação das operações de gestão de pneus usados a nível nacional e uma das intervenientes no seminário “Visão Global de Gestão de Resíduos” que amanhã tem lugar em Ponta Delgada, perguntamos se é um desafio retirar das ilhas e valorizar esta quantidade de pneus usados?

Hoje, essas seis mil toneladas já estão um pouco reduzidas, uma vez que após a conclusão do concurso público para o seu tratamento (feito pela Secretaria Regional do Ambiente) iniciámos logo as operações conjuntamente com a Varela & Ca (a empresa do Grupo Bensaúde a que foi adjudicado o tratamento dos pneus usados). Nós, o que fazemos é suportar o custo da valorização desses pneus no continente e é nossa intenção, tanto quanto possível, o mais rapidamente, limpar esse passivo que está na Região e, também, contribuírmos para que essas situações não voltem a ocorrer.

Qual é o destino dado aos pneus?

Os pneus têm vários destinos: podem ir para um de dois valorizadores/recicladores existentes no País (Biosafe e Recipneu) ou para uma de quatro unidades de valorização energética (três cimenteiras e uma produtora de energia).

Temos por objectivo a optimização do custo, respeitando sempre as metas a que nos propusemos e de acordo com as quais 65 por cento dos pneus que não são recauchutados irão sempre para reciclagem enquanto os restantes irão para valorização energética.

Relativamente aos Açores, por questões de optimização logística, os pneus estão a ser encaminhados para a Secil, em Outão, portanto, para valorização energética.

O factor transporte é oneroso?

O custo do transporte e do tratamento de pneus que têm origem na Região Autónoma dos Açores (RAA) é mais elevado, mas a Valorpneu também vê a RAA como parte integrante deste Sistema Integrado de Gestão de Pneus Usados (SGPU) e, portanto, entendemos que é nosso dever também tratar esses pneus de igual forma, embora o custo seja mais elevado.

Nós suportamos o transporte desde o ponto de recolha na ilha até ao porto, o transporte marítimo e, depois, o transporte terrestre do porto até ao valorizador.
Todavia, a natureza da Valorpneu é a de uma entidade sem fins lucrativos.

Exactamente, a Valorpneu é uma entidade sem fins lucrativos embora seja uma entidade privada. Isto é, o capital da Valorpneu é constituído por três associações: 60 por cento pertencente à Associação do Comércio Automóvel Português (ACAP), 20 por cento à Associação Portuguesa dos Industriais de Borracha (APIB) e os restantes 20 por cento à Associação Nacional dos Industriais de Recauchutagem de Pneus (ANIRP). Relativamente à ACAP, está no capital da empresa como representante dos produtores de pneus que, no enquadramento legislativo, têm a obrigação de tratar dos pneus em fim de vida. Isto significa que têm que contribuir financeiramente para este sistema, para que os pneus usados possam ser encaminhados de forma adequada para destinos de valorização.

O que é que significa nós não sermos uma empresa com fins lucrativos? Significa que não distribuímos dividendos e todo o resultado obtido pela empresa tem por vista ser reenvestido em actividades similares, na actividade da empresa ou em comunicação, sensibilização e, naturalmente, investigação.

Quais as dificuldades?

Temos uma rede completa de pontos de recolha que cobrem o território continental, as nove ilhas dos Açores (um em cada ilha, excepto Corvo que é assegurado pelo das Flores), e Madeira. Portanto, temos uma rede de recolha e armazenagem temporária de pneus completa e auto-suficiência nacional em termos de valorizadores.

Agora, a nossa maior preocupação é viabilizar soluções finais para incorporação dos produtos resultantes da reciclagem de pneus, ou seja, do granulado de borracha ou da fragmentação dos pneus. Existem soluções testadas mas há que implementar, divulgar e sensibilizar o mercado mostrando que, inclusive, o pneu pode substituir matérias primas, recursos naturais e, nalgumas situações, com vantagem. Portanto esse é o grande desafio que temos para dar sustentabilidade a longo prazo ao sistema.
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