Rio acusa Governo de ser “mestre da propaganda e da dramatização”

Rio acusa Governo de ser “mestre da propaganda e da dramatização”

 

AO Online/ Lusa   Nacional   1 de Set de 2019, 19:18

O presidente do PSD acusou este domingo o Governo de ser “mestre da propaganda e da dramatização”, apelando aos eleitores que não se deixem condicionar pela “encenação” na greve dos motoristas como aconteceu nas europeias com o “episódio dos professores”.

Na sessão de encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide (Portalegre), Rui Rio afirmou que o líder do PS tem “um discurso oportunista” à beira das eleições em relação aos seus parceiros de esquerda.

“Temos um Governo que é acima de tudo mestre de propaganda (…) um mestre na dramatização de uma forma como nunca tinha visto, na capacidade de montar um circo político mediático quando está em causa não o interesse nacional, mas o interesse do PS”, acusou.

A este propósito, Rio fez um paralelismo entre a ameaça de demissão do primeiro-ministro, António Costa, em maio, perante a possibilidade de o parlamento aprovar a contagem total do tempo de serviço dos professores antes das eleições europeias com a atuação do Governo na recente greve dos motoristas de matérias perigosas, à beira de legislativas.

“Tinha em mente uma encenação para condicionar - e conseguiu – o voto de 26 de maio, mas os portugueses que quiserem entender têm agora um bom exemplo para e perceber o exagero e disparate do que foi feito na altura em nome do interesse do PS e não do interesse nacional”, avisou.

Rui Rio assegurou que, se o PSD for Governo, “não haverá circo, nem espetáculo, nem mediatização, mesmo que possa dar jeito para a eleição seguinte”

“Se há coisa de que o anterior governo do PSD foi acusado foi de pôr à frente os interesses do país em troca da impopularidade do partido”, salientou.

Rui Rio referiu-se ainda às recentes críticas do secretário-geral socialista aos parceiros de esquerda, em particular ao BE, acusando-o de fazer “um discurso oportunista”.

“Eu condeno esta forma de estar na política. Não andamos em busca de gratidão, mas também não é bonito ingratidão em relação aos parceiros e, sobretudo, procurar confundir o eleitorado nos últimos 30 dias antes das eleições com um discurso completamente diferente dos últimos quatro anos”, criticou.

Na sua intervenção de perto de 50 minutos, o presidente do PSD voltou a defender que o programa eleitoral do partido traz “esperança” aos portugueses – ao contrário do do PS, que apenas aposta no presente – e apontou, como tinha feito sábado à noite na Festa o Pontal, a descentralização como crucial, mesmo que seja preciso enfrentar interesses instalados.

“A coragem implica em política desapego ao poder, é coisa que não me falta, às vezes talvez até em excesso”, afirmou.

Dizendo saber que retirar um investimento de milhões em Lisboa para o colocar em Portalegre lhe valerá “aplausos de meia dúzia de pessoas e críticas de milhares”, Rio considerou que só vale a pena estar na política com convicção.

“Senão, isto é um frete de todo o tamanho, exercer este cargo e não ter ambição de mudar aquilo está mal e só gerir o dia a dia”, considerou.

Na área do sistema político, Rio disse não ter simpatia pelo modelo de círculos uninominais – defendido pelo PS -, mas admitiu poder “ser convencido” das vantagens de um modelo misto, que conjugue os uninominais com um círculo nacional de compensação.

Na economia, Rio insistiu que o modelo de crescimento tem de assentar nas exportações e investimento e detalhou o quadro macroeconómico já apresentado pelo partido.

“Da margem orçamental que o crescimento económico permitir, vamos dedicar 24% a reduzir impostos, 23% a aumentar o investimento público, 45% a aumentar a despesa corrente e 7% para a redução do défice, que se vai tornar um ligeiro superavit”, explicou, detalhando que nos impostos 51% da redução incidirá nas empresas e 49% nas famílias.

Com o seu mandatário nacional e porta-voz do PSD para as Finanças Públicas na primeira fila, Rui Rio fez questão de apontar Joaquim Sarmento como membro de um futuro do Governo do PSD.

“Se esse futuro for já dia 06 de outubro, não é dispensável de um Governo PSD, mas se houver aí um engano do eleitorado, aquele que for o próximo presidente do PSD que venha a ser primeiro-ministro se não for eu, também não poderá seguramente dispensar o contributo do professor Joaquim Sarmento”, afirmou.

Elogiando o diretor da Universidade de Verão do PSD, o antigo eurodeputado Carlos Coelho (que foi sétimo nas listas europeias e não foi eleito), Rui Rio fez questão de dizer que este foi convidado, mas recusou, integrar a lista às próximas legislativas.

Estiveram também presentes em Castelo de Vide o secretário-geral do PSD, José Silvano, o vogal da direção e número ‘dois’ por Coimbra, Maló de Abreu, e o cabeça de lista pelo Porto, Hugo Carvalho.



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