O número de ocorrências nas ribeiras dos Açores reduziu 19% em 2025, passando de 301 para 243, segundo o Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores (RERA), apresentado ontem em Angra do Heroísmo.
Os dados, revelados pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, resultam da monitorização de mais de 550 quilómetros de linhas de água, abrangendo 168 bacias hidrográficas em todo o arquipélago.
“O Relatório apresentado resulta de um trabalho técnico e operacional alargado, que envolveu mais de 60 colaboradores da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, permitindo percorrer, ao longo do ano de 2025, uma extensão muito significativa, superior a 550 km de linhas de água, e efetuar 485 registos, entre novos levantamentos e avaliações do ponto da situação, que, no global, incidiram sobre 168 bacias hidrográficas distintas”, afirmou o governante, citado em nota publicada no portal do executivo regional.
Alonso Miguel referiu que “os dados recolhidos evidenciam uma evolução global positiva, verificando-se uma redução do número de ocorrências em toda a Região, 243 face às 301 registadas em 2024”, revelando que “São Miguel foi a ilha com maior número de ocorrências, 176, seguindo-se o Pico, com 22, a Terceira, com 15, e o Faial, com 12 ocorrências”.
Para Alonso Miguel, o RERA é um “instrumento estratégico de grande relevância no que se refere à monitorização e ao planeamento das intervenções de desassoreamento, limpeza, manutenção e requalificação das ribeiras”.
Neste contexto, o governante explicou que “fruto da localização geográfica e das especificidades arquipelágicas dos Açores, os efeitos das alterações climáticas têm-se feito sentir cada vez de forma mais evidente nas ilhas, designadamente quanto à frequência e intensidade com que ocorrem determinados fenómenos meteorológicos extremos”, os quais “colocam em causa a segurança das pessoas, causam prejuízos materiais e financeiros avultados, para além dos efeitos negativos que representam para os ecossistemas e para setores de enorme relevância para o desenvolvimento da Região”.
E reforçou que “ribeiras desobstruídas e bem mantidas, em conjunto com boas práticas ambientais, por parte das populações, são aspetos fundamentais para reduzir o risco de ocorrência de cheias, inundações, deslizamentos de terra e outros perigos, contribuindo decisivamente para a salvaguarda das populações e para evitar prejuízos materiais e financeiros avultados”.
Especificamente sobre o relatório de 2025, o secretário regional sublinhou ainda “a diminuição do número de ocorrências verificadas em todas as ilhas, com exceção de São Miguel e Pico”, destacando uma redução significativa na ilha Terceira, de 36 para 15 ocorrências, e, sobretudo, na Graciosa, onde se verificaram apenas oito ocorrências em 2025, contrastando com as 42 ocorrências registadas em 2024.
Alonso Miguel evidenciou também a diminuição da gravidade das ocorrências, referindo que “as duas categorias de maior gravidade concentram apenas cerca de 10% do total das ocorrências, quando em 2024 abrangiam 21%”, o que demonstra “uma melhoria significativa do estado global das linhas de água”.
“No que respeita à tipologia, os assoreamentos de troços de ribeira continuam a ser os eventos mais frequentes, representando cerca de 29% do total de ocorrências, seguindo-se as derrocadas, que concentram aproximadamente 24% das ocorrências”, acrescentou.
O governante considerou ainda como “aspeto muito positivo uma nova redução do número de ocorrências relacionadas com o abandono de resíduos em ribeiras, passando de 22 ocorrências em 2024, para apenas 12 em 2025”, refletindo “a evolução positiva que tem sido verificada na Região ao nível da consciencialização das populações para a importância da preservação ambiental”.
