Redução da força laboral concluída com sucesso, trabalhadores temem novos despedimentos

A Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses (CRT) da base das Lajes teme novos despedimentos futuros, apesar de o processo de redução da força laboral, iniciado em 2015, ter decorrido apenas com rescisões por mútuo acordo.


 

"O processo tem duas vertentes. A primeira tinha a ver com o facto de se evitarem despedimentos forçados, recorrendo a rescisões por mútuo acordo, e essa foi concluída com muito sucesso. Todos os trabalhadores que ficaram na base tiveram colocação e não houve redução de ordenados de forma direta", disse, em declarações à Lusa, Bruno Nogueira, presidente da CRT.

Hoje deixam a base das Lajes, na ilha Terceira, os últimos dos cerca de 450 trabalhadores portugueses que assinaram rescisões por mútuo acordo, com direito a indemnização e reforma antecipada.

Após a redução gradual, que se iniciou em setembro de 2015, ficaram na base das Lajes cerca de 350 funcionários portugueses, havendo um compromisso dos norte-americanos de manter 417 vagas.

Entretanto, abriram novos concursos e, atualmente, a base das Lajes tem 410 trabalhadores portugueses permanentes e cerca de uma dezena de trabalhadores temporários.

No entanto, segundo Bruno Nogueira, a Força Aérea norte-americana está a reduzir serviços prestados na base das Lajes, que eram fonte de receitas, o que poderá levar a um despedimento de funcionários no futuro.

"Temos trabalhadores que são pagos pelos fundos apropriados, ou seja, que vêm do orçamento da Defesa norte-americana, e outros que são pagos pelos fundos não apropriados, que são gerados através de serviços internos na base das Lajes", explicou.

O presidente da CRT teme que estejam em risco cerca de 70 postos de trabalho, se houver uma quebra de receitas dos serviços prestados na base, o que prevê que aconteça, por exemplo, com a já anunciada limitação do acesso às cantinas (onde se vendem produtos dos EUA) apenas aos militares norte-americanos.

"O acesso às cantinas por parte dos trabalhadores portugueses e da Força Aérea portuguesa era uma prática de várias décadas e a limitação do acesso destes espaços vai levar a uma quebra no consumo. Se esses serviços derem prejuízo, os norte-americanos vão cortar no número de trabalhadores, como já aconteceu no passado, com o clube", salientou.

Segundo Bruno Nogueira, esses trabalhadores poderão ser recolocados noutras secções, mas se não tiverem as qualificações necessárias, correm risco de ser despedidos.

Por outro lado, o presidente da CRT teme que haja uma nova reorganização da força laboral portuguesa na base das Lajes, no futuro, uma vez que a Força Aérea norte-americana está a efetuar contratos de ‘outsourcing’ e a atribuir alguns serviços à Força Aérea portuguesa.

"Nós temos o compromisso da secretária da Força Aérea e do embaixador dos Estados Unidos de que não vai haver novos despedimentos, mas não confiamos muito, porque os norte-americanos só seguem o acordo técnico quando lhes interessa", referiu.

A administração norte-americana anunciou em janeiro de 2015 uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes e o consequente despedimento de 400 trabalhadores portugueses.

O processo de redução deveria estar concluído a 15 de março de 2016, mas a Força Aérea norte-americana decidiu alargar o período de saída dos trabalhadores portugueses até ao final do ano fiscal (setembro de 2016), tendo em conta a necessidade de dar formação dos trabalhadores que permaneceram na base.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)