Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye

“Queremos recuperar o lugar que este rali e os Açores merecem”

Entrevista a António Medeiros, diretor de prova da 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye



A 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye vai amanhã (4 setembro) para as estradas da ilha de São Miguel. Quais são as expectativas do diretor da prova para este evento que, recorde-se, é prova candidata a integrar o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) em 2027?

As expectativas são naturalmente elevadas, mas encaramos esta edição sobretudo com grande sentido de responsabilidade. A 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye é candidata a integrar o CPR em 2027 e será avaliada nesse contexto, pelo que queremos demonstrar, uma vez mais, a capacidade organizativa do Grupo Desportivo Comercial (GDC) e dos Açores.

Trabalhámos para proporcionar uma prova competitiva, bem organizada e, acima de tudo, segura. Esperamos que pilotos, equipas e público desfrutem do rali e que, no final, todos reconheçam a qualidade do trabalho desenvolvido pela organização e por todas as entidades, parceiros e voluntários envolvidos.

O figurino do rali é todo idêntico ao da edição de 2025 mas, desta feita, a prova vai disputar-se no verão. Como é que estão os pisos das classificativas que dão corpo ao itinerário do rali?

Apesar de o figurino ser muito semelhante ao da edição de 2025, a realização da prova nesta altura do ano apresenta características diferentes, sobretudo ao nível do estado e da consistência dos pisos e também vai ser disputada com a luz do dia. Foi desenvolvido um trabalho importante de preparação e beneficiação dos troços, com o apoio da Secretaria Regional das Obras Públicas, dos Serviços Florestais, das autarquias e das restantes entidades envolvidas.

De uma forma geral, os pisos apresentam-se em muito boas condições para a competição. Naturalmente, tratando-se de classificativas em terra, a sua evolução dependerá das condições meteorológicas e da passagem dos concorrentes. A direção de prova continuará a acompanhar permanentemente o estado do percurso para garantir as melhores condições possíveis de segurança e regularidade desportiva.

Mais do que um rali do Campeonato de Ralis dos Açores, esta prova carrega, sobre si, um peso histórico gigantesco, tendo sido, num passado bem recente, classificada como prova âncora do campeonato da Europa de ralis. Afastada há quatro anos do calendário do Nacional, a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye procura recuperar o prestígio entretanto perdido. Quão importante será o sucesso deste rali, não apenas para o futuro da própria prova, mas também para a modalidade em São Miguel e nos Açores?
O sucesso desta edição é muito importante, não apenas para a candidatura ao CPR, mas também para o futuro da própria prova e da modalidade nos Açores. Estamos a falar do mais antigo rali açoriano, com uma história e um prestígio construídos ao longo de várias décadas, tanto no panorama nacional como internacional. O primeiro rali realizou-se em 1965, então com a designação de Volta à Ilha de São Miguel, tendo posteriormente integrado o Campeonato Nacional e o Campeonato da Europa de Ralis.

Queremos iniciar uma nova etapa e recuperar progressivamente o lugar que este rali e os Açores merecem. Uma organização bem-sucedida reforçará a credibilidade da prova, dará maior visibilidade ao automobilismo açoriano e poderá criar novas oportunidades para pilotos, equipas, oficiais, voluntários e parceiros. Ao mesmo tempo, contribuirá para a promoção de São Miguel e dos Açores através do desporto.

A segurança é uma questão central numa prova de automobilismo, não apenas para os espectadores e participantes, mas também para a própria organização. Que conselhos deixa a todos os que nos próximos dois dias vão estar nas estradas da ilha de São Miguel a assistir ao rali?

O nosso principal apelo é muito simples: vivam intensamente o espetáculo, mas façam-no sempre em segurança. Os espectadores devem chegar com antecedência, (pelos menos 40 minutos antes do primeiro concorrente) utilizar exclusivamente as zonas autorizadas para o público e respeitar todas as instruções dos comissários, das forças de segurança e dos restantes elementos da organização.

Nunca devem permanecer em zonas proibidas, áreas de escape ou no exterior das curvas, nem atravessar a estrada depois do encerramento das classificativas. É igualmente fundamental manter as crianças e os animais de companhia permanentemente acompanhados e em segurança. Um comportamento responsável protege o público, os concorrentes e os oficiais e é determinante para que a prova decorra normalmente. A segurança do rali é uma responsabilidade de todos.

Não menos importante – até porque tem sido uma preocupação da FIA e da FPAK há largos anos – é a questão ambiental em redor deste tipo de eventos. E, neste capítulo, o GDC até foi pioneiro no país na procura de mitigar, ao longos dos anos, a pegada ambiental das suas provas. De que forma o público na estrada pode, também, contribuir para a preservação do meio ambiente que a prova também procura defender?

Os Açores possuem um património natural único e a sua preservação deve ser uma responsabilidade partilhada por todos. O público pode dar um contributo fundamental através de gestos simples, como não abandonar resíduos ao longo das classificativas, utilizar os ecopontos disponibilizados, respeitar a vegetação e as propriedades e deixar os locais exatamente como os encontrou.

É também importante evitar comportamentos que possam causar danos no meio envolvente e seguir sempre as indicações da organização e das autoridades. Queremos que o rali continue a promover as paisagens de São Miguel, mas queremos igualmente garantir que a passagem da prova deixa o menor impacto possível. O respeito pelo ambiente é também uma forma de assegurar a continuidade e a sustentabilidade deste evento para o futuro.

Qual é o principal desejo do diretor de prova – e toda a sua equipa na estrada por estes dias – para a  59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye?

O nosso principal desejo é que a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye decorra com segurança, competitividade e desportivismo e que, no final, todos regressem a casa em segurança. Queremos que seja uma verdadeira festa do automobilismo, que dignifique a história da prova, corresponda às expectativas dos participantes e do público e demonstre que São Miguel e os Açores têm todas as condições para voltar a receber uma prova do CPR e num futuro muito breve, também voltar ao Campeonato Europeu de Ralis.

Esse será o melhor reconhecimento para o enorme trabalho desenvolvido pela equipa organizadora, pelos oficiais, pelos comissários, pelos voluntários e por todas as entidades e parceiros que tornaram possível colocar novamente este grande rali na estrada.

Por fim, gostaria de te agradecer em meu nome e de toda a equipa técnica, que represento, todo o teu empenho e profissionalismo demonstrado na cobertura deste evento, que certamente ajudará em muito a promoção da prova e dos Açores, nesta fase em que todos olhamos para o futuro. Obrigado. 






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