PS critica falta de visão nos apoios desportivos e governo açoriano admite “inflexão”

O PS/Açores saudou o “recuo” do Governo Regional ao manter os apoios desportivos da “Palavra Açores”, mas criticou a “falta de visão” e de “previsibilidade” no setor, enquanto o executivo admitiu uma “inflexão” nas políticas



“Este recuo e esta alteração de estratégia do Governo [Regional], que nós saudamos tendo em conta que o governo 15 dias depois da decisão inicial acaba por fazer aquilo que o PS defendia, vem demonstrar um padrão de governação”, considerou o líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias.

O socialista falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, num debate de urgência solicitado pelo partido sobre o fim do regime de financiamento de iniciativas com interesse para a promoção turística e dos apoios aos clubes desportivos conhecido por “Palavra Açores” (por estar associado à divulgação turística).

No sábado, o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) revelou que vai manter na época 2026-27 os apoios da “Palavra Açores”, após críticas de partidos e clubes desportivos, incluindo do Santa Clara, que ameaçou sair da região.

No debate, Berto Messias falou em “falta de coragem, cobardia política” e “incompetência” e confirmou que o PS vai manter a proposta para assegurar a manutenção dos apoios por ser “cada vez mais difícil acreditar no Governo” Regional.

O socialista alertou, também, para os impactos da suspensão do financiamento aos eventos de dinamização turística, que pode comprometer a realização de vários festivais, torneios e provas desportivas.

“É mais uma medida errada do Governo Regional. Que suspende apoios, corta apoios, que governa aos solavancos. Que não tem uma visão clara e definida para o futuro. Que tem aqui no parlamento a oportunidade de explicar as suas soluções e não o faz”, declarou.

Já a secretária da Educação, Cultura e Desporto lembrou que em causa está a “concessão de um apoio exclusivo referente às equipas que se encontram na posição mais elevada nas competições nacionais” e afirmou que a necessidade de definir áreas prioritárias no investimento para 2026 precipitou a revisão dos apoios no desporto.

Contudo, prosseguiu, o Governo Regional decidiu “rever a calendarização previamente apresentada” perante o “argumento dos clubes que precisariam de mais tempo para uma reformulação sistémica”.

“Não temos problema em assumir que fizemos uma inflexão. A política honesta e de proximidade tem essa prerrogativa: a da convergência”, afirmou.

A secretária regional rejeitou as críticas sobre falta de transparência ao insistir que era claro que existia um “corte de 50%” no Orçamento dos Açores para 2026 nos apoios desportivos.

Pelo PSD, o deputado Paulo Gomes acusou o PS de “nunca se ter preocupado” com o desporto nos últimos cinco anos e elogiou a “humildade” do Governo Regional ao manter os apoios.

Também o deputado do CDS-PP Luís Silveira saudou a “maturidade governativa” do executivo açoriano, tal como João Mendonça (PPM), que destacou o “dialogo democrático” com os clubes.

O líder do Chega/Açores adiantou que, face à posição do executivo açoriano, o partido retirou uma proposta para a manutenção dos apoios, mas considerou “ridículo” que o “apoio ao desporto venha camuflado no apoio ao turismo”.

Já o deputado da IL Pedro Ferreira acusou o executivo de “amadorismo” e defendeu que os açorianos não podem ser “alvo de chantagem” por parte de investidores no desporto, enquanto o parlamentar do BE António Lima disse esperar que “não tenha sido um recuo para o ano voltar a fazer o mesmo”.

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