Portuguesas são as europeias que mais valorizam a carreira profissional e os filhos


 

Carmo Rodeia   Nacional   26 de Nov de 2009, 05:42

As portuguesas são as europeias que mais valorizam quer a carreira quer a família, concluiu um estudo europeu sobre políticas de género, que sublinha que o custo elevado dos serviços de apoio às crianças em Portugal dificulta a gestão entre trabalho e família.

A valorização das duas dimensões é uma tendência que atravessa toda a Europa, mas as mães europeias "estão em desvantagem, em todos os países", em relação aos homens no campo profissional, ressalva o estudo, que decorreu entre 2006 e 2009 e foi feito em Portugal pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

No mercado de trabalho europeu actual, as mulheres estão entre dois fogos: por um lado, as recomendações da Comissão Europeia são de "integração plena" no mercado de trabalho de mulheres e homens, por outro, o envelhecimento da população leva à aplicação de políticas de incentivo à natalidade.

"Estas políticas, potencialmente contraditórias, têm-se traduzido numa enorme tensão colocada sobre as mulheres e os homens na gestão das responsabilidades profissionais e familiares", refere-se na introdução aos objectivos do estudo Workcare.

O objectivo foi "explorar, perceber e analisar como as famílias com filhos pequenoa poderão ser melhor apoiadas por políticas públicas" para terem mais qualidade de vida e conseguirem conciliar as vidas profissional e familiar.

No caso português, em que "1,3 por cento" do Produto Interno Bruto é gasto em cuidados com crianças, o estudo destaca que o "elevado custo dos equipamentos e dos serviços de apoio às crianças" é "um obstáculo na gestão entre o trabalho e a família".

Portugal está ao nível da Europa de Leste e Central ao combinar "elevado emprego feminino a tempo inteiro", que continua depois do nascimento dos filhos, e uma taxa de participação nos cuidados com as crianças "entre o médio e o elevado".

O país apresenta ainda "baixa fertilidade e pouco peso da população jovem".

De acordo com as entrevistas feitas em Portugal, os investigadores concluíram que os portugueses consideram o rendimento como o factor principal de igualdade entre homens e mulheres.

As recomendações do estudo aos governos incluem "investimento no apoio às famílias" e que o género seja sempre tido em conat n oas decisões políticas, especialmente em matérias como a redução do "fosso salarial entre homens e mulheres".

No que toca à flexisegurança, os autores do estudo destacam que "não deve haver "flexibilidade e segurança para homens e apenas flexibilidade para mulheres".

"Licenças de maternidade adequadas e bem pagas são fundamentais" e os homens devem ser "encorajados e apoiados para beneficiarem da licença de paternidade" ou perdê-la se não usufruirem, acrescentam.

O estudo Workcare é apresentado a partir das 09:00 no Auditório Afonso de Barros, no ISCTE, com a coordenadora do estudo em Portugal, Anália Torres, e a secretária de Estado adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz.


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