Portas sai do Qatar com "bons sinais", mas não fala sobre hipotético interesse na dívida

Portas sai do Qatar com "bons sinais", mas não fala sobre hipotético interesse na dívida

 

Lusa/AO Online   Economia   3 de Dez de 2013, 17:21

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, defendeu esta terça-feira que as matérias sobre a dívida pública "são demasiado reservadas" para se fazerem declarações públicas, mas sublinhou que parte da capital de Doha com "muito bons sinais de confiança" em Portugal.

 

O governante falava após uma série de reuniões com o Governo do Qatar, inclusive com o Emir Sheikh Tamim Bin Hamad Al Thani, a primeira figura daquele Estado, quando questionado pelos jornalistas sobre a hipótese de o Qatar acompanhar emissões de dívida portuguesa nos próximos anos.

"Matérias relativas à dívida pública são demasiado reservadas para poderem merecer declarações públicas. Mas vou daqui com muito bons sinais de confiança em Portugal que se vão transformar, estou certo, em oportunidades para as nossas empresas", disse.

O governante lembrou também que "os capitais do Qatar já estão presentes tanto na EDP como na empresa que ganhou a privatização dos aeroportos em Portugal (Vinci)".

Para o vice-primeiro-ministro português "isso significa mais economia, mais investimento e mais crescimento, que é o que permite ter mais emprego".

Paulo Portas foi ainda questionado sobre a troca de divida hoje realizada pela agência que gere a dívida pública, o IGCP, mas remeteu para mais tarde declarações, já que naquele momento os dados sobre a operação ainda não eram totalmente conhecidos.

Portugal conseguiu hoje "empurrar" para 2017 e 2018 cerca de 6,64 mil milhões de euros de dívida que tinha de pagar originalmente em 2014 e 2015, numa operação de troca de dívida

O IGCP recomprou hoje 837 milhões de euros da linha de obrigações que vencia em junho do próximo ano e 1,64 mil milhões de euros da dívida que vencia em outubro do próximo ano, num total de cerca de 2,5 mil milhões de euros.

Da linha de obrigações que vencia em outubro de 2015 foram recomprados 4,16 mil milhões de euros.

Em troca, o Governo colocou 2,68 mil milhões de euros na linha de obrigações que vence em outubro de 2017, e mais 3,97 mil milhões de euros na linha que vence em junho de 2018.

Portugal tinha cerca de 27 mil milhões de euros para pagar em 2014 e 2015 só em dívida de médio e longo prazo, e acaba por reduzir para menos de 21 mil milhões de euros.

Com esta operação, no próximo ano, quando termina o atual programa de resgate da ‘troika' e se espera que Portugal regresse aos mercados para financiar a dívida de médio e longo prazo de forma mais assídua, depois de duas operações realizadas este ano em que testou os mercados, Portugal fica com menos cerca de dois mil milhões de euros para pagar.

Em 2015 a carga estava concentrada num único mês e é reduzida em cerca de quatro mil milhões de euros, o que permite reduzir o pagamento da linha de obrigações que existia para menos de 10 mil milhões de euros, ao contrário dos 13,4 mil milhões que estavam previstos.

O governante falava no âmbito da missão empresarial ao Qatar e aos Emirados Árabes Unidos, onde participam 42 empresários portugueses, sobretudo das áreas do turismo, agroalimentar, farmacêutica, construção e tecnologias de informação.

O Qatar é o maior exportador mundial de gás natural e considerado pelo Banco Mundial o país mais rico do mundo em termos de PIB per capita.

 


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