PCP/Açores critica "ausência de estratégia" para açucareira Sinaga

PCP/Açores critica "ausência de estratégia" para açucareira Sinaga

 

Lusa/AO Online   Regional   5 de Dez de 2013, 17:45

O deputado do PCP/Açores Aníbal Pires criticou esta quinta-feira a "ausência de uma estratégia" do Governo Regional para a açucareira Sinaga, questionando o que pretende fazer o executivo com a indústria de transformação de açúcar.

 

“É conhecida a difícil situação financeira que a fábrica atravessa. Nós atribuímos esta situação ao desinvestimento acentuado que teve lugar ao longo dos últimos anos, ainda quando esta estava na esfera privada, mas também, depois, com a intervenção que foi feita pela região”, declarou o parlamentar regional numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada.

A Sinaga, detida maioritariamente por capitais públicos regionais, registou em 2012 um saldo negativo de 3,3 milhões de euros, o dobro do verificado em 2011 (1,6 milhões de euros), de acordo com o seu relatório e contas.

Aníbal Pires concordou com uma intervenção do Governo dos Açores na Sinaga que visou salvaguardar os 100 postos de trabalho e “garantir que algo mudaria naquela indústria de transformação”, mas o referiu que, “passados estes anos, não há investimento e uma estratégia”.

“Resultado: a Sinaga está à beira do colapso devido à inércia e falta de estratégia do Governo Regional e da administração. Está em causa o presente e o futuro da empresa”, declarou o comunista.

O deputado do PCP/Açores defendeu a necessidade de se “adotar medidas de emergência” e recordou que propôs, pelo segundo ano consecutivo, no âmbito do Plano e Orçamento, a construção de uma nova fábrica para a Sinaga, tendo a maioria socialista no parlamento açoriano votado contra, enquanto o CDS-PP e o BE se abstiveram.

Aníbal Pires especificou que a nova fábrica da Sinaga ficaria situada na Ribeira Grande, no Pico Vermelho, aproveitando-se a energia geotérmica e água existente no local.

“Porquê tantos milhões para as empresas privadas, previstos num imenso saco azul, e para este setor e para a Sinaga nada de investimentos?”, questionou.

Aníbal Pires referiu que “nunca foi explicada a razão pela qual esta nova fábrica, tendo estado prevista nos projetos a serem financiados pelo POSEI [programa da União Europeia específico para as regiões ultraperiféricas] em 2010, com 30 milhões de euros, nunca avançou”.

O deputado apontou que o encerramento da Sinaga colocaria em causa 100 postos de trabalho, acabando com a produção de beterraba de cerca de 200 produtores.

“O PCP apela aos trabalhadores, aos produtores, à população que reclame do Governo dos Açores medidas urgentes para viabilizar o futuro da Sinaga, antes que seja tarde demais e se venha com a conversa de que já não há mais nada a fazer”, referiu.

Aníbal Pires indicou que durante a semana que antecedeu a discussão do Plano e Orçamento para 2014 dos Açores foram feitos contactos diários junto da Sinaga, visando uma deslocação do PCP/Açores à indústria, mas nunca houve uma resposta.

De acordo com Jorge Franco, sindicalista, trabalhador da Sinaga e membro do Conselho Regional do PCP/Açores, também presente na conferência de imprensa, para ser viável a Sinaga tem que produzir 15 mil toneladas de açúcar, 1.500 das quais para consumo local e as restantes para exportação.

 


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