Segundo o padre João Farias, as obras são consideradas urgentes e vão ser realizadas com o apoio da Câmara Municipal do Corvo, que atribuiu um apoio de 108 mil euros, correspondente à estimativa do investimento.
Entretanto, como a paróquia também realizou ações de angariação de fundos e reuniu donativos de emigrantes, vai ter possibilidade de executar outras intervenções no templo católico, edificado em 1795.
“Já conseguimos [dinheiro para a obra] com a ajuda da Câmara Municipal da Vila do Corvo, que deu a totalidade para a cobertura do teto, os 108 mil [euros] que nos faltavam. Os emigrantes também mandaram a sua contribuição e a população residente também tem aderido aos eventos [de recolha de fundos]”, disse o sacerdote.
João Farias referiu que a paróquia pediu dois orçamentos e a obra foi entregue a um empreiteiro local que no passado realizou intervenções na igreja matriz, nas salas da catequese e na sacristia.
A intervenção na igreja é muito desejada pela comunidade da mais pequena ilha dos Açores e avançará logo que os materiais cheguem ao Corvo.
“Estamos só à espera que cheguem os materiais à ilha, que ainda demoram a chegar - têm que vir do continente -, para depois procedermos às respetivas licenças e começarmos a obra tão desejada e esperada”, disse o sacerdote à Lusa, perspetivando que, na melhor das hipóteses, a obra possa começar “no início do próximo ano”.
“Estou nessa esperança, mas ficamos sempre dependentes dos transportes marítimos, que, às vezes, demoram mais do que aquilo [que é] esperado”, admitiu.
O padre explicou que o objetivo inicial era fazer apenas as obras de substituição da cobertura da igreja matriz de Nossa Senhora dos Milagres, mas como o município contribuiu com 108 mil euros, que é o valor dessa intervenção, a restante verba angariada servirá para “fazer mais restauros”, nomeadamente ao nível da pintura e das portas.
“Se fosse para fazer na sua totalidade o restauro da igreja era muito [esforço financeiro] para a população e, então, vamos fazendo aos pouquinhos, conforme o dinheiro que vamos tendo”, disse.
João Farias reconhece a importância do apoio recebido do único município da ilha, pois “era quase insuportável” a paróquia conseguir a totalidade da verba para a intervenção prevista na cobertura.
“São muitas coisas [a necessitar de obras], que não são fruto de um ano nem de dois, já são de há alguns anos, que se foram deteriorando, e que agora precisam de se fazer urgentemente para não piorar ainda mais”, concluiu.
Ainda de acordo com o sacerdote, “chove imenso” no interior da igreja matriz, principalmente na parte do coro alto.
Para a realização das obras, face à inexistência de verbas, a paróquia realizou nos últimos meses iniciativas de angariação de fundos junto da população e dos visitantes, com a campanha “Todos juntos somos mais”.
No âmbito da iniciativa foram realizadas vendas de produtos gastronómicos confecionados pela comunidade, como torresmos, sobremesas, biscoitos (conhecidos localmente por torradas docinhas), filhós e bifanas, e arrematações de vários produtos e artigos também oferecidos pelos residentes.
Como se trata de uma paróquia pequena e sem grandes expedientes financeiros, o padre do Corvo indicou à Lusa, em dezembro de 2025, que não podia recorrer a financiamento bancário para realizar as obras.
A matriz de Nossa Senhora dos Milagres é a única igreja que existe na ilha.
Foi construída em 1795 sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas, em 2014, passou a ter como orago a Senhora dos Milagres, por decreto da Santa Sé, porque os habitantes da vila do Corvo e da vizinha ilha das Flores pediam a intercessão da Senhora dos Milagres e “eram atendidos”, explicou o sacerdote.
A festa de Nossa Senhora dos Milagres, a padroeira da ilha, que tem cerca de 400 habitantes, é celebrada anualmente no dia 15 de agosto.
Segundo a página Igreja Açores, neste dia, o centro do cortejo religioso “é o andor da Senhora, onde segue a imagem, uma escultura flamenga de Malines, datada do século XVI e devidamente ornamentada com o seu tesouro: a coroa e o rosário em ouro”, que, segundo a tradição, terão sido oferecidos pelos piratas.
