IRIS alerta para “degradação” do Museu do Trigo

O Núcleo Regional dos Açores da Associação nacional de ambiente apela à Câmara Municipal para que sejam realizadas obras de conservação do espaço. O Açoriano Oriental tentou perceber a posição da autarquia relativamente à situação, sem sucesso



O Núcleo Regional dos Açores da IRIS - associação nacional de ambiente demonstrou preocupação relativamente ao “estado de degradação” do Museu do Trigo, no concelho da Povoação. A associação defende a necessidade de realização de obras de “renovação e conservação” do referido espaço, nomeadamente da “escada exterior e da roda que fazia mover as máquinas”.

Através nota de imprensa, a IRIS refere que o museu conta com alguns elementos em madeira que apresentam “sinais evidentes de envelhecimento e degradação”, existindo também estruturas que “aparentam encontrar-se fragilizadas”. Esta situação pode acabar por comprometer a “preservação do património” e “representar riscos para a utilização e visita ao espaço”.

A associação apela à Câmara Municipal da Povoação para que seja feita uma avaliação “urgente” do estado atual do Museu do Trigo, promovendo a realização das “intervenções necessárias à sua recuperação, conservação e valorização, evitando que a degradação atualmente visível se agrave”.

A IRIS refere também que está em causa a “salvaguarda de um património que testemunha uma atividade agrícola fundamental na história dos Açores”, constituindo uma “parte importante da memória coletiva da população” da Povoação e da ilha de São Miguel como um todo.

O Museu do Trigo é o único museu de São Miguel dedicado especificamente à cultura do trigo. Assim sendo, o local assume particular importância na preservação de “conhecimentos, técnicas, instrumentos e elementos materiais relacionados com uma atividade que marcou profundamente a vida das comunidades rurais açorianas”.

A associação informa também que considera “igualmente importante” a definição de uma estratégia de médio e longo prazo para o espaço, garantindo a sua “manutenção regular, a valorização do seu espólio e a sua efetiva integração numa política de preservação e divulgação do património cultural e etnográfico da Povoação e de São Miguel”.

O Núcleo Regional dos Açores da IRIS deixa ainda uma garantia: “Esta posição enquadra-se plenamente nos objetivos da associação, nomeadamente na conservação do património arquitetónico e paisagístico, na preservação do património cultural imaterial, na utilização sustentável dos recursos e na sensibilização da sociedade para a necessidade de preservar os valores naturais e culturais”.

“A conservação do património não pode limitar-se à sua identificação ou valorização documental. É necessário garantir a sua manutenção, recuperação e transmissão às gerações futuras. Um museu dedicado à cultura do trigo só cumpre verdadeiramente a sua função se o património que alberga estiver devidamente preservado e se as suas condições permitirem a sua fruição pública com segurança e dignidade”, refere a nota de imprensa.

O edifício em questão foi construído por volta de 1854, tendo o propósito, na altura, de realizar a  a debulha e moagem de cereais, separando o grão e a palha. A recessão cerealífera que se fez sentir por toda a ilha, em meados do século XX, fez com que o edifício ficasse abandonado, permanecendo assim por mais de duas décadas. Em 1995, a Câmara Municipal da Povoação adquiriu o referido espaço com o propósito de o reconstruir e transformá-lo, posteriormente, em museu etnográfico.

Segundo informações disponíveis no seu portal digital, a IRIS é uma associação sem fins lucrativos, de âmbito nacional, que rege a sua atividade com “total independência” de partidos políticos, de empresas e entidades com fins lucrativos, de organizações de natureza confessional e do poder político.

A associação está organizada em grupos de trabalho e em núcleos regionais de associados espalhados por Portugal Continental e pelas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Em termos gerais, a associação tem como objeto a “defesa e valorização do património natural e cultural, bem como a conservação da natureza”.

O Açoriano Oriental tentou perceber a posição da autarquia relativamente à situação, sem sucesso.

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A Delegação de Saúde da Horta, na ilha do Faial, informou, através de comunicado, que nos últimos dias mantém-se a tendência de evolução do número de casos de gastroenterite, que está a ser “acompanhada de perto e que se enquadra no que é esperado neste tipo de surtos, sem alteração da sua natureza”