Oito detidos em megaoperação da PSP em Rabo de Peixe

Megaoperação da Polícia de Segurança Pública culminou na detenção de oito pessoas e danos em quatro viaturas policiais na saída do local. Um dos oito indivíduos saiu em liberdade, sendo que termina hoje o primeiro interrogatório aos detidos.



O Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) dos Açores deteve, esta quinta-feira, em flagrante delito, oito indivíduos suspeitos de terem cometido um crime de tráfico de estupefacientes, tendo sido apreendidas 962 doses de haxixe, 1110 doses de cocaína, e dinheiro relacionado com o crime, no Porto de Pescas de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande.

A “megaoperação” que contou com polícias da Brigada de Investigação Criminal da Esquadra de Rabo de Peixe, apoiados pelo efetivo da Divisão Policial de Ponta Delgada e da Força Destacada da Unidade Especial de Polícia do Comando Regional dos Açores, terminou, contudo, com arremesso de objetos, como pedras e barrotes de madeira, por parte de locais que danificaram quatro viaturas., Segundo a força policial, foram identificadas duas pessoas. 

A PSP efetuou seis disparos de advertência para o ar, com o intuito de terminar com os arremessos dos objetos contra as viaturas, num momento em que havia uma grande afluência de pessoas no local.

O Comando Regional dos Açores realçou ainda que o arremesso dos referidos objetos não provocou qualquer lesão nos agentes que concretizaram esta operação policial  nem em qualquer outra pessoa presente no local.

Segundo a RTP Antena 1 Açores, um dos oito detidos na operação de combate ao tráfico de droga no Porto de Rabo de Peixe saiu em liberdade após ser ouvido no Tribunal da Ribeira Grande. Os restantes arguidos estavam a ser ouvidos, estando três interrogatórios previstos para amanhã.

Número de detidos poderá aumentar nos próximos dias
O diretor nacional adjunto da PSP, Pedro Neto Gouveia, salientou aos jornalistas que os danos efetuados nas viaturas da PSP vão dar origem a um inquérito e que, nos próximos dias, além das duas já identificadas, mais pessoas poderão ser identificadas através dos vídeos publicados nas redes sociais.

Jaime Vieira condena episódio
O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, que já foi presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe durante três mandatos, condenou os comportamentos dos populares na operação.

De acordo com uma nota publicada pelo próprio na sua página na rede social Facebook, o  episódio “ é grave e não pode ser ignorado. A droga mata, destrói vidas e famílias, e todos temos de dizer não às drogas e assumir o compromisso de as combater”. O autarca condena “claramente” a situação que ocorreu no Porto de Pescas de Rabo de Peixe e salienta que está “ao lado da PSP e das forças de segurança, que devem ter todas as condições para cumprir a sua missão e garantir a ordem e a segurança de todos”.

Jaime Vieira reitera que a situação “não é um retrato de Rabo de Peixe, uma parte não é o todo”, acrescentado que esta é uma terra de pessoas “de bem, honestas, trabalhadoras”, que “todos os dias lutam para construir uma terra melhor, e que não se revêm neste triste episódio”. 

O autarca salienta que não pode permitir que um episódio, “provocado por uma minoria, apague o esforço de uma comunidade inteira”, além de salientar que é preciso “continuar a trabalhar, com ainda mais afinco, para combater a droga e a delinquência”.

Junta de Freguesia apela ao reforço da presença policial
Por sua vez, através de um comunicado, a Junta de Freguesia de Rabo de Peixe manifesta “reconhecimento e agradecimento à PSP pelo trabalho desenvolvido em prol da segurança da nossa população e, com particular atenção, no combate ao tráfico de estupefacientes”.

Perante a situação ocorrida esta quinta-feira, a Junta condena “firmemente qualquer ato de violência, ameaça ou desrespeito contra as forças de segurança”. Além disso, o executiva lamenta “ profundamente os comportamentos registados após a operação policial, que em nada representam a grande maioria da população de Rabo de Peixe”.

A Junta apela ainda ao reforço de uma presença policial “mais forte e permanente” em Rabo de Peixe, especialmente nas zonas identificadas como mais problemáticas, privilegiando a prevenção, a proximidade e o combate ao tráfico de estupefacientes”.

ASPP solidária com os colegas
Também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) lamentou o ocorrido e repudiou o acontecimento. O coordenador regional, Paulo Pires, em declarações ao Açoriano Oriental, considera que é  um “ato isolado” na Região e que não representa a população de Rabo de Peixe, que, na sua maioria, respeita as autoridades.

O coordenador regional mostra solidariedade com os colegas envolvidos no episódio, sobretudo numa operação que foi previamente estudada.

Por sua vez, reitera a necessidade de reforço de meios técnicos e humanos na PSP e que é necessário melhorar as condições da carreira de polícia para tornar a profissão mais apelativa para os jovens.

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