Obama aponta "grande desafio" na coordenação entre EUA e China sobre IA (ATUALIZADA)

O antigo Presidente norte-americano Barack Obama defendeu hoje, em Lisboa, a necessidade de regular a inteligência artificial a nível internacional, mas reconheceu que será “um grande desafio”, apontando a falta de confiança entre Estados Unidos e China.



“Ainda não temos as guias de segurança de que precisamos. [A regulação] tem de começar nos Estados Unidos, a China é outro país”, comentou o 44.º Presidente dos Estados Unidos (2009-2017) e Nobel da Paz 2009, numa conversa no final da sexta edição do Game Changers Forum, no Meo Arena, perante uma plateia de mais de 10 mil pessoas, segundo a organização.

Obama apontou EUA e China como os países mais avançados em termos de inteligência artificial (IA), mas ressalvou que “não há neste momento muita confiança entre eles”.

“Temos de regular e coordenar entre nações e isso vai ser um grande desafio”, comentou.

O antigo Presidente democrata advertiu que a evolução tecnológica vai provocar “uma enorme mudança, a nível económico, social e político, mas vai acontecer em 10 anos, não em 30 ou 50 anos”.

“O problema”, disse, “é que a tecnologia move-se muito depressa, mas os governos e as sociedades movem-se devagar”, defendendo a necessidade de criar “um quadro regulatório” para responder a “assuntos sérios sobre segurança”.

Os modelos de inteligência artificial avançam em três meses e ensinam-se a si próprios, acrescentou.

“Alguém pode entrar no sistema financeiro ou de controlo de tráfego aéreo. Alguém pode desenvolver uma nova pandemia, um patógeno”, comentou.

Mas, sublinhou, há realidades em que as máquinas nunca poderão substituir os humanos, como a educação ou cuidados de enfermagem.

“O problema é que, como sociedade, desvalorizámos essas profissões. Os benefícios podem ser sempre monetizados e [estas tarefas] não dão um grande lucro. Historicamente, as mulheres têm estado de forma desproporcionada nessas profissões e não lhes pagamos como devíamos pagar”, reconheceu, recebendo novamente fortes aplausos.

“Temos de reavaliar o que valorizamos e o que tem maior posição nas nossas sociedades”, considerou.

Além disso, sublinhou, “outra coisa que as máquinas não podem fazer é ter discernimento e sabedoria”.

“Há coisas em que há uma solução muito estreita e em que as máquinas serão melhores”, admitiu, salientando que “o que é unicamente humano é ter discernimento sobre o que é importante na vida: amizade, família, cuidar de alguém, mesmo que seja um estranho, ter um sentido de perspetiva”.

“Talvez a máquina pense que deve fazer da forma mais eficiente, mas se calhar não queremos eficiência em certas coisas”, acrescentou.

Obama começou a sua intervenção a agradecer em português ao público, que o aplaudia de pé, e recordou que a sua administração foi a que teve mais luso-americanos, como o diretor político, o secretário da Energia ou o fotógrafo oficial.

E, "mais importante", os seus dois cães Bo e Sunny, da raça cão de água português.


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