Nutricionistas apoiam uso do sal iodado mas pedem educação alimentar

Bastonária dos Nutricionistas e presidente da Ordem dos Enfermeiros nos Açores apoiam o uso obrigatório de sal iodado na administração pública regional, mas defendem que a medida seja acompanhada de monitorização, suplementação dirigida e educação alimentar



A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, manifestou ontem apoio à fortificação do sal com iodo, mas alertou para a necessidade de monitorização e de educação alimentar, de forma a evitar o aumento do consumo de sal.

Ouvida na Comissão de Assuntos Sociais, a propósito do Projeto de Decreto Legislativo Regional apresentado pelo PSD, CDS-PP e PPM, com o objetivo de criar mecanismos de promoção e utilização obrigatória de sal iodado na administração pública regional, Liliana Sousa manifestou o seu apoio à fortificação do sal e à distribuição gratuita de suplementos para grupos vulneráveis, como as grávidas, sublinhando que estas medidas seguem diretrizes internacionais de saúde pública.

“A Ordem dos Nutricionistas não só se congratula, como se revê na medida que está a ser, neste momento, indicada como um primeiro passo”, afirmou.

No entanto, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas enfatizou a necessidade de uma monitorização contínua para evitar o consumo excessivo e garantir que o reforço de iodo não incentive um uso imoderado de sal.

“Quando falamos em fortificação com iodo, podemos estar a correr, de certa forma, o risco de conduzir a um aumento do consumo de sal. Portanto, o lema deve ser: menos sal, mas todo iodado”, defendeu.

Nesse sentido, destacou que a suplementação deve ser sempre acompanhada de “ações de educação alimentar e literacia”, justificando que uma medida isolada pode comportar perigos. Referiu ainda que a implementação nas escolas é uma “oportunidade criada para que esta educação e esta mensagem possam ser transmitidas” de forma harmonizada a alunos, professores e pais.

Neste contexto, explicou que o papel dos nutricionistas nas instituições públicas e escolas passa pela responsabilidade prática, uma vez que os profissionais que trabalham nessas estruturas são considerados os “responsáveis pela adequação da medida na prática e no terreno”.

Mas também pelo controlo da confeção, dado o papel relevante no controlo da adição de sal, garantindo que o resultado final tenha os “valores desejados”, uma vez que existem “perdas durante a preparação e confeção dos alimentos”.

Refira-se que esta iniciativa legislativa visa reforçar o consumo de iodo na população açoriana, com particular atenção às fases de gravidez, recém-nascidos e crianças em idade escolar, “de modo a resolver o problema de défice de iodo” detetado em estudos recentes realizados na Região.

Neste sentido, o projeto de decreto legislativo regional pretende criar “mecanismos de promoção do consumo de iodo, estabelecendo a obrigatoriedade de utilização de sal iodado na administração pública regional direta e indireta”.  Desta forma, é estipulada a obrigatoriedade do uso de sal iodado “na confeção de refeições em todos os serviços e entidades públicas da administração pública regional, direta e indireta, incluindo institutos públicos, fundos autónomos e setor público empresarial regional”, bem como em refeitórios e bares escolares. 

A iniciativa da coligação prevê ainda a entrega gratuita de suplementação de iodo às mulheres em fases sensíveis do ciclo de vida, através das Unidades de Saúde de Ilha, mediante prescrição médica.

Também o presidente da Ordem dos Enfermeiros nos Açores, Pedro Soares, manifestou ontem o apoio da instituição ao projeto de decreto legislativo regional que visa promover o uso obrigatório de sal iodado na administração pública e a sua disponibilização a grávidas.

“Trata-se, a nosso ver, de uma medida simples, sustentável e de elevado retorno social, que reforça o compromisso regional com a promoção da saúde maternoinfantil e com o cumprimento das recomendações da Organização Mundial da Saúde no domínio da prevenção da deficiência de iodo”, afirmou o responsável, que também foi ontem ouvido na Comissão de Assuntos Sociais.

Acrescentou ainda que a entrega gratuita de suplementação de iodo às mulheres em fases sensíveis do ciclo de vida deve ser feita pelos serviços farmacêuticos das instituições e não pelos enfermeiros. Nesse sentido, Pedro Soares considera que “os enfermeiros poderão ter um papel fundamental na literacia que podem promover junto da população sobre esta questão”, considerando que, devido à sua “proximidade (...) em termos terapêuticos com a população”, estes profissionais são peças-chave para a “disseminação (...) desta medida”.  

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