Numa altura em que se assinalam quase dois meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, os ministros dos Transportes da União vão reunir-se numa videoconferência informal para “debater o impacto dos recentes desenvolvimentos geopolíticos no Médio Oriente no sistema e no setor dos transportes da UE”, informou a presidência cipriota do Conselho.
Portugal estará representado na reunião virtual pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
Apesar da incerteza que o conflito cria para o setor dos transportes, certo é que já existem aumentos de custos e impactos nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.
A presidência rotativa do Conselho da União, ocupada este semestre por Chipre, quer assegurar uma forte coordenação da UE, reduzir dependências externas de combustíveis fósseis e adotar medidas concretas e acionáveis.
Na reunião de terça-feira, pretende, por isso, focar-se em garantir o abastecimento de combustível, preservar a conectividade em todos os modos de transporte e evitar respostas nacionais fragmentadas ou descoordenadas.
A discussão surge na véspera de a Comissão Europeia divulgar, na quarta-feira, um pacote de medidas para aliviar a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente.
“Embora a UE não esteja a enfrentar escassez de combustível, o aumento dos preços, especialmente com impacto na aviação, continua a exercer pressão sobre o setor”, admite fonte da presidência cipriota.
Quando alguns países já avançam com medidas, Nicósia quer assegurar uma abordagem coordenada, proporcional e compatível com as regras de mercado único da UE.
Na passada sexta-feira, a Comissão Europeia garantiu que não existe escassez de combustíveis na UE, apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, mas admitiu estar a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação.
As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.
No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.
Antes, na quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia disse que a Europa tem “talvez mais seis semanas de combustível para aviões”, alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.
No mesmo dia, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal disse que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.
Uma escalada do conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel tem impactos diretos no setor dos transportes, nomeadamente marítimo em qualquer perturbação no Estreito de Ormuz.
Na aviação, o fecho ou a restrição do espaço aéreo leva a voos mais longos, maior consumo de combustível e custos operacionais mais elevados.
Paralelamente, a subida dos preços da energia repercute-se no transporte rodoviário e nos custos logísticos internos.
