A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) pretende reforçar a proximidade com os empresários açorianos e intensificar a sua intervenção junto das entidades públicas, num contexto marcado por desafios estruturais que continuam a afetar o setor na Região.
Em declarações ao Açoriano Oriental sobre o novo mandato como representante nos Açores, Carlos Moura, que é também o presidente nacional da AHRESP, afirmou que a prioridade passa por “dar resposta aos desafios concretos” da restauração, do alojamento turístico e dos setores associados, através de uma presença mais próxima no terreno e de uma atuação mais assertiva a nível fiscal e regulatório.
A associação destaca o trabalho já desenvolvido na Região, nomeadamente através da delegação açoriana e de parcerias institucionais. Entre as iniciativas em curso, sublinha-se a criação da Plataforma Nacional das Cozinhas do Mar, em articulação com o Governo Regional, que visa valorizar os produtos do mar, promover a sustentabilidade e afirmar a identidade gastronómica açoriana.
Segundo Carlos Moura, com a
presença da AHRESP em Portugal continental, a entidade contribui para
uma maior projeção do conhecimento sobre o território, a gastronomia, a
cultura e os vinhos dos Açores. “Trata-se de uma valorização dos
produtos açorianos”, acrescenta.
Crescimento de associados, apesar da rotatividade
Atualmente
com mais de 500 associados na Região, a AHRESP tem registado um
crescimento do número de associados, embora reconheça que se trata de um
universo dinâmico, marcado pela abertura e encerramento frequente de
negócios. A dispersão geográfica pelas nove ilhas continua a ser um
desafio, mas a associação garante estar a reforçar a sua presença para
chegar a mais empresários. O objetivo, segundo o novo delegado
regional, passa por alargar a base associativa e consolidar o papel da
AHRESP como parceiro de referência para as empresas do setor.
Custos elevados e falta de mão de obra preocupam
Entre
os principais problemas identificados estão os elevados custos de
contexto -como energia, matérias-primas e transportes - agravados pela
insularidade e por fatores externos, como a instabilidade internacional.
A escassez de mão de obra qualificada e a sazonalidade da procura
turística são outras preocupações centrais.
Para responder a estes
desafios, a associação aposta no apoio técnico às empresas, na formação
profissional e na representação institucional junto dos decisores
políticos.
No que diz respeito à logística, considerada um problema
estrutural, a AHRESP defende igualmente maior previsibilidade nos
transportes, apoios aos custos e uma aposta reforçada na produção local,
como forma de reduzir a dependência do exterior.
Valorização das profissões e aposta na formação
A falta de trabalhadores qualificados continua a afetar o setor. Como resposta, a AHRESP tem vindo a promover a valorização das profissões, incluindo a atualização de designações e o reforço salarial em algumas categorias. Um exemplo é a substituição do termo “empregado de mesa” por “assistente de sala”, refletindo a crescente exigência da função.
A formação é outro eixo estratégico para a associação, com destaque para a oferta da Academia AHRESP, que disponibiliza cursos certificados, incluindo em formato online, facilitando o acesso em territórios insulares.
Além disso, Carlos Moura explica que a associação tem
vindo a desenvolver parcerias internacionais para recrutamento de
trabalhadores, nomeadamente através de um protocolo com a Confederação
Empresarial da CPLP, que prevê a formação de trabalhadores ainda nos
países de origem e no espaço dos PALOP.
Turismo deve apostar na qualidade e sustentabilidade
Após um período de forte crescimento, o turismo nos Açores poderá entrar numa fase de consolidação, aponta Carlos Moura. Para a AHRESP, o foco deve agora estar na qualidade da oferta, na sustentabilidade e na valorização da identidade local.
A associação defende ainda a
necessidade de reduzir a sazonalidade, distribuindo melhor a procura ao
longo do ano e reforçando a experiência do cliente como fator
diferenciador.
Relação próxima com o Governo Regional e Municípios
A colaboração com o Governo dos Açores e os Municípios de todos os concelhos e todas as ilhas da Região é apontada como fundamental para a associação. “Desejo ter uma reunião com todos os presidentes de Câmara Municipal da Região Autónoma dos Açores”, reforça.
A AHRESP quer manter uma relação próxima e positiva, apresentando propostas práticas para melhorar áreas como a formação de trabalhadores, a redução da burocracia e o apoio às empresas.
O objetivo é criar melhores
condições para que as empresas funcionem, cresçam e se tornem mais
competitivas na economia dos Açores.
