Manifestação

Milhares desfilam contra a política económica e social portuguesa

Milhares desfilam contra a política económica e social portuguesa

 

Lusa / AO online   Nacional   18 de Out de 2007, 16:19

Milhares de trabalhadores de todo o país estão a desfilar em direcção ao Parque das Nações, em Lisboa, em protesto contra a política económica e social em Portugal e em defesa de uma Europa com direitos sociais e emprego.
O protesto começou quase ao mesmo tempo em que o presidente em exercício da União Europeia (UE), José Sócrates, anunciou um acordo entre representantes das confederações patronais e sindicais da Europa em torno da modernização do mercado de trabalho e dos princípios da "flexigurança".

Animada por um grupo de bombos e cabeçudos, a manifestação, convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), decorre de forma ordeira, mas muito barulhenta, obrigando ao corte de trânsito entre os Olivais e o Parque das Nações, em Lisboa.

Os manifestantes gritam várias palavras de ordem contra a política do Governo, nomeadamente "Direitos sindicais sim, repressão não", "É preciso, é urgente uma política diferente", "Emprego de qualidade, não à precariedade".

Reivindicam ainda que "qualquer que seja o tratado, deve ser referendado".

À frente do desfile seguem os dirigentes nacionais da CGTP, com um enorme faixa onde se lê "Por uma Europa Social" (escrito em Português e Inglês), seguidos por vários dirigentes de sindicatos europeus que integram a Confederação Europeia de Sindicatos (CES).

Desta vez, a CES não enviou nenhuma delegação para participar na manifestação, apesar dos seus principais dirigentes se encontrarem em Lisboa, onde participaram esta manhã na cimeira social com a Presidência da União Europeia.

A CGTP não quis ainda avançar com o número total de participantes, mas a polícia, embora reconheça a dificuldade de definir um número, disse aos jornalistas que a manifestação deve integrar cerca 150 mil pessoas.

A manifestação nacional decorre no mesmo dia em que se realiza a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

A manifestação realiza-se sob o lema "por uma Europa social, empregos com direitos" e tem como objectivos protestar pela situação económica e social do país e com as políticas europeias que vão ter repercussões negativas em Portugal, como a flexigurança, segundo disse à agência Lusa o dirigente da CGTP Amável Alves.

Num manifesto, a CGTP assumiu que a manifestação de hoje é um protesto contra a flexibilidade sem segurança, a desprotecção dos trabalhadores, o aumento da precariedade, a facilidade no despedimento, a redução dos salários reais e a limitação do papel dos sindicatos.

Defende, no mesmo documento, a promoção da negociação colectiva, o combate ao desemprego, o direito à formação, a igualdade no trabalho, o respeito pelos direitos dos trabalhadores, melhor segurança social, saúde e educação e maior justiça fiscal.

Os sindicatos da CGTP emitiram pré-aviso de greve, como de costume, para salvaguardar a presença dos trabalhadores que desejem participar na manifestação de protesto, mas "a greve não é a forma de luta escolhida para quinta-feira", esclareceu Amável Alves.
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