Microcrédito já criou 800 empresas e mais de mil empregos


 

Lusa / AO online   Economia   20 de Nov de 2007, 17:44

O microcrédito já permitiu, desde 1999, a criação de cerca de 800 microempresas e mais de mil empregos em Portugal, ainda assim a taxa de procura continua muito "aquém das expectativas", de acordo com o presidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC).
"Acreditamos que por esta via podemos apoiar pessoas que se assim não fosse permaneceriam numa situação de grande dependência" social, assegurou Manuel Brandão Alves, lembrando ainda que os beneficiários destes projectos "somos todos nós" como sociedade.
Com a taxa de desemprego a atingir 7,9 por cento no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 0,5 pontos percentuais face ao período homólogo de 2006, o microcrédito pode ser uma via de saída de situações de total dependência de prestações sociais.
"As pessoas têm que ter capacidades e iniciativa para desenvolver um negócio, um empreedimento, uma empresa para que possam melhorar as suas condições de vida", explicou Manuel Brandão Alves, acrescentando que as pessoas, com a ajuda da associação, podem "formular um projecto de investimento que possa vir a justificar o investimento e a confiança".
O microcrédito é um pequeno crédito dirigido a pessoas que em situações normais não têm acesso a crédito na banca, caracterizando-se justamente pela ausência da necessidade de apresentação de garantias.
Desde que foi criada em 1999, a ANDC já financiou a criação de "800 microempresas, o que corresponde a um volume de postos de trabalho de cerca de 1000 pessoas", mas Brandão Alves considera o número aquém das suas expectativas, argumentando que é preciso promover mais esta forma de financiamento.
O presidente da ANDC referiu que a taxa de insucesso não ultrapassa os nove por cento, com a maioria dos projectos a serem bem sucedidos.
À associação cabe também fazer a ponte entre as pessoas e as três instituições financeiras com quem trabalha - Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp e BES, sendo que um empréstimo típico do microcrédito é de 5000 euros, mas pode chegar a 10.000 euros "desde que seja concedido em duas fatias".
A CGD, que está ligada ao microcrédito apenas desde 2005, criou uma linha de crédito no valor de 15 milhões de euros destinados a esses financiamentos.
A directora de comunicação do banco, Suzana Ferreira, prefere não falar de em retorno financeiro, por considerar "que são projectos de reduzida dimensão, cujo grande objectivo é trazer retorno ao mercado e ao país e permitir que a sociedade se desenvolva, evitando a exclusão" e defende que o necessário é promover alguma cultura do empreendedorismo em Portugal.
Questionada sobre casos de incumprimento, a directora de comunicação da CGD garante que o banco não tem "incumprimento associado ao microcrédito", reforçando que se tratam "de pessoas que querem cumprir".
Ema Blanc, dona de um atelier de joalharia, recorreu ao microcrédito em 2002 e é um dos casos de sucesso.
Quando teve conhecimento da oportunidade já trabalhava na área da joalharia, porém foi o microcrédito que lhe permitiu expandir o seu projecto.
"Já tinha a minha actividade em curso, mas o microcrédito deu-me a oportunidade de aumentar o projecto", contou Ema Blanc.
Actualmente a empresária trabalha no seu atelier e vende as suas peças para uma joalharia num centro comercial, reconhecendo que o microcrédito é uma "ajuda" para quem pretende lançar um pequeno negócio.
Entretanto, a importância das instituições financeiras no desenvolvimento do microcrédito em Portugal vai ser debatida quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian numa conferência organizada pela Comissão Europeia.
De acordo com o presidente da ANDC, na conferência, a Comissão Europeia, representada por Ronald Hall, vai anunciar um pacote de medidas para apoiar o microcrédito, nomeadamente através da "disponibilização de um quadro de referência para o desenvolvimento do microcrédito e a disponibilização de instrumentos financeiros que possam vir a apoiar as iniciativas que se possam vir a desenvolver".
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