Marcelo diz que Manuela Ferreira Leite "tirou o tapete" a Marques Mendes


 

Lusa / AO online   Nacional   1 de Out de 2007, 10:32

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou domingo que Manuela Ferreira Leite "tirou o tapete" a Marques Mendes e o deu a Menezes ao não manifestar o seu apoio público ao ex-líder do PSD nas directas para a liderança do partido.
"Acho que Manuela Ferreira Leite tem uma experiência política suficientemente longa para saber que prometer dizer o seu sentido de voto e não o fazer e não esclarecer a utilização do seu nome por um candidato teve um peso decisivo a favor desse candidato", considerou Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa semanal na RTP1, "As Escolhas de Marcelo".

"Tirou o tapete ao Mendes e deu-o ao Menezes", afirmou o ex-líder do PSD.

Para Rebelo de Sousa este não apoio expresso a Marques Mendes da ex-ministra das Finanças e de outros 'barões' do partido foi um dos factores que deram a vitória a Luís Filipe Menezes nas directas de sexta-feira com 54 por cento dos votos.

Segundo Marcelo, outros factores para este resultado foram a falta de confiança do eleitorado na capacidade de Mendes de vencer as próximas legislativas e, sobretudo, o facto do ex-líder não ter rompido totalmente com a "linha populista" de Pedro Santana Lopes.

"O partido quis dizer nestas eleições 'queremos a linha populista'", afirmou, considerando que essa prova tem de ser feita nas eleições europeias, autárquicas e legislativas de 2009.

"Se se perder tudo, o partido fica nas lonas. Se houver uma nova derrota igual a 2005 o partido fica exangue", avisou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que sábado, em declarações ao semarário SOl (antes de conhecer os resultados eleitorais) considerou que Menezes tinha cometido "um erro monumental" que lhe poderia custar a eleição, admitiu que se enganou ao avaliar a atitude dos militantes do PSD sobre a mudança de comportamento do autarca de Gaia em relação às polémicas com quotas e cadernos eleitorais.

"Achei que ele ia ser penalizado por essa contradição e pelo tom nunca visto em relação ao líder. Mas não foi", concluiu.

O comentador político sublinhou ainda que a campanha interna para as directas deu uma "péssima" imagem do PSD e que "não podia ter corrido pior".

"Não se discutiu o país, não se discutiram temas nacionais, só questões internas", lamentou, considerando que com as directas se perdeu o debate político.

Para o futuro, o ex-presidente social-democrata considera que terá de haver uma entidade independente que fiscalize o processo eleitoral e antecipa que Menezes será um adversário mais fácil para o primeiro-ministro José Sócrates.

"Menezes tem as mãos atadas em duas ou três questões essenciais: o referendo europeu foi à vida, já disse que não o considerava necessário; a descida de impostos foi à vida; quanto à regionalização, não me admirava que Menezes avançasse alinhando com a vontade de Sócrates", disse.

Quanto à disputa para a direcção do grupo parlamentar, com eleições marcadas para 18 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa adverte para os problemas de ter Pedro Santana Lopes - que não se excluiu desta disputa - na liderança da bancada.

"Cria um partido com dois líderes, um dentro do Parlamento e outro fora", defendeu.

O comentador político considera ainda que Menezes deve manter-se como presidente da Câmara Municipal de Gaia e antecipa que Marques Mendes poderá renunciar ao cargo de deputado e largar a vida política.

Sobre a posição do Presidente da República após esta mudança na liderança social-democrata, Rebelo de Sousa salientou que Menezes não se referiu a Cavaco Silva na sua declaração de vitória.

"Cavaco vai ter de receber Menezes e vai ser mais 'entalado' por ele do que era por Marques Mendes. Não verá com grande simpatia, mas não vai dizer uma palavra, acho eu", afirmou.
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