Marcel Marceau faleceu


 

Lusa/AOonline   Internacional   23 de Set de 2007, 19:50

O francês Marcel Marceau, considerado o maior artista mímico do mundo, falecido hoje em Paris aos 84 anos, actuou em Portugal pela última vez em 2003, ano em que anunciou o abandono dos palcos, após mais de 13 mil actuações.


    Bip - a personagem que criou em 1947, inspirada em Charlot - ainda se apresentou, no entanto, em 2005 numa última digressão da "arte do silêncio" pela América Latina.

    Foi em silêncio que durante quase seis décadas, Marcel Marceau comunicou com o público através dos movimentos corporais, transformando as mãos em pássaros e criando pantominas que se tornaram clássicos, conhecidos em todo o mundo, da Europa ao Japão.

    No final de Dezembro de 2003, Marceal Marceau apresentou quatro espectáculos no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, onde apresentou um conjunto de actuações a solo intitulados “A Arte do Silêncio”, com as mais recentes criações do seu repertório.

    A personagem Bip - com calças às riscas pretas e brancas, colete encarnado e uma rosa vermelha no chapéu - foi inspirada no “vagabundo” criado por Charles Chaplin, um dos seus heróis, a par de Buster Keaton, Harry Landon ou a dupla Laurel e Hardy.

    Marcel Marceau nasceu em Estrasburgo, França, a 22 de Março de 1923, ingressou na escola de arte dramática Charles Dullin, em 1946, onde estabeleceu uma relação especial com o professor Etienne Decroux, e um ano mais tarde criou o personagem Bip, um ser marcado pela sensibilidade e pela poesia que lhe permitiu explorar a sociedade moderna concentrando-se na sua dimensão trágica.

    Identificando-se, de início, com a tradição da commedia dell´arte dos séculos XVII e XVIII, estreou-se em 1947 no Thêatre de Poche e fundou a sua companhia teatral em 1948, em Paris, mas apenas em 1951, no Festival de Berlim, conheceu o reconhecimento internacional.

    A participação no Festival de Berlim marcou o início de um relacionamento com Bertolt Brecht e o Berliner Ensemble, e também a rodagem dos seus primeiros filmes para a DEFA (Organização cinematográfica da República Democrática Alemã), instituição estatal de Berlim-Leste.

    O seu nome de família original era Mangel, mas Marceu alterou o apelido para escapar durante a Segunda Guerra Mundial à perseguição aos judeus pelos nazis, que em 1944 assassinaram o seu pai, deportado no campo de concentração de Auschwitz.

    Tornou-se um dos artistas franceses mais conhecidos no mundo, em especial nos Estados Unidos onde o seu movimento da "marcha contra o vento" marcou uma revolução na cena teatral, que inspirou por exemplo "Moonwalk", de Michael Jackson.

    No cinema trabalhou com o director Roger Vadim em "Barbarella" (1968) e com Mel Brooks em "A Última Loucura" (1976), duas fitas que ainda contribuíram mais para a sua fama internacional.

    Reconhecido pela sua versatilidade teatral, o artista foi nomeado Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas para o Envelhecimento.

    A família anunciou hoje o falecimento sem, contudo, revelar as causas, adiantando apenas que será sepultado nos próximos dias no cemitério parisiense Pére Lachaise.

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