Educação especial

Mais de 100 mil alunos necessitados estão sem apoio


 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Set de 2008, 10:54

Mais de 100 mil alunos com necessidades especiais estão sem qualquer apoio pedagógico, situação que em muitos casos se transforma em "graves problemas de insucesso escolar", de acordo com o professor catedrático da Universidade do Minho, Miranda Correia.
O Coordenador da Área de Educação Especial da Universidade do Minho chega a este número baseando-se no facto de não existirem estudos efectivos do número de crianças com necessidades especiais e de o Ministério da Educação apresentar uma estimativa "muito abaixo de qualquer estudo internacional". Para o ME, as crianças com necessidades especiais "rondam os 1,8 por cento, "um número totalmente abaixo de qualquer estudo internacional", afirma Miranda Correia que defende situarem-se entre os oito e os 12 por cento os alunos que têm dificuldades de aprendizagem específicas.

    Para o especialista, aquela diferença representa que mais de 100 mil alunos estejam fora das contabilidades e apoios do Ministério: “Entre 100 a 150 mil alunos com necessidades educativas especiais estão sem apoio, sendo que metade diz respeito a dificuldades de aprendizagem específica, como a dislexia”, disse à Lusa o professor catedrático da Universidade do Minho, Miranda Correia, alertando para o perigo de estas situações acarretarem “graves problemas de insucesso escolar”.

    Além desta contabilidade diferenciada, as organizações que trabalham com crianças com necessidades educativas especiais criticaram esta semana o financiamento atribuído pelo ME, considerando mesmo que a "falta de verbas" poderá pôr em causa os apoios prestados aos alunos.

    Com a reforma da educação especial, que prevê a integração de todas as crianças com deficiência no ensino regular até 2013, as escolas especializadas estão a transformar-se em centros de recursos, tendo apresentado este ano, pela primeira vez, projectos de apoio educativo que vão ser desenvolvidos em parceria com os estabelecimentos de ensino regulares.

    A ex-professora Rosa Guimarães, da Associação Nacional de Deficientes, lembra casos concretos de crianças “abandonadas pelo sistema”: a jovem cega de 14 anos que mudou de estabelecimento de ensino e agora vai ter de percorrer todos os dias 20 quilómetros “desconhecidos” para chegar à escola. O menino que todos os dias chega ao pé dos colegas numa ambulância dos bombeiros porque não existe um carro adaptado para o transportar. Os alunos que não conseguem entrar na casa de banho porque a porta é demasiado pequena para passar a cadeira de rodas. Os estudantes impedidos de ir à biblioteca do primeiro andar, por falta de um elevador que transporte a cadeira de rodas.

    “Estamos ainda na Idade Média”, acusa Rosa Guimarães, lembrando que muitas crianças com deficiência “estão na escola, mas fazem uma vida totalmente à parte”. Existem ainda os alunos “com problemas de aprendizagem, como os que têm dificuldades de linguagem que deixaram de ter apoio. Agora só as crianças com grandes dificuldades passam a ser acompanhadas”, acusou Rosa Guimarães.

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