Igualdade

Lei já cobre assédio mas deve debater-se "incriminação mais directa da prática"


 

Lusa/AO online   Nacional   30 de Set de 2011, 18:03

O assédio está coberto pela lei portuguesa, mas “vale a pena ponderar” a utilidade de uma “incriminação mais directa da prática”, defende a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, reconhecendo que são necessárias “medidas mais eficazes”.
“Não se pode dizer que não existam na lei penal portuguesa normas que andam próximas do assédio e que de alguma forma lhe dão cobertura”, disse, em declarações à agência Lusa, referindo como “caso mais evidente” o artigo 163.º do Código Penal, que prevê o crime de coação sexual.

Mas, acrescentou, “é verdade que o tipo de crime, tal como está desenhado, não se refere directamente ao assédio sexual”.

Teresa Morais participou hoje no “Seminário internacional sobre assédio sexual no espaço público e no trabalho”, promovido pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Frisando que não tem competências na área da Justiça, a secretária de Estado assume que "vale a pena ponderar (...) se se deverá caminhar para uma incriminação mais abrangente e, simultaneamente, mais directa da prática do assédio, designadamente do assédio sexual”.

Teresa Morais, que é também secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares, recorda que o assédio “não tem só implicações individuais”, ao nível da saúde das pessoas por exemplo, mas tem também “uma dimensão social e económica”.

“O assédio tem custos sociais e custos económicos muito significativos”, sustenta, apontando a “degradação do ambiente de trabalho” e a “perda de produtividade das empresas”, o que “exige um debate mais profundo e medidas mais eficazes do que aquelas que têm existido até agora”.

“Esta prática é um ato censurável e criminoso”, resume, afirmando que as vítimas “não têm que se culpabilizar”, mas “estar protegidas e apoiadas para a denúncia”.

Nesse sentido, é preciso “encontrar formas de dar melhor segurança às pessoas afetadas pelo assédio, às vítimas em geral e muito especialmente às mulheres, uma vez que são a grande maioria, para se sentirem suficientemente apoiadas para avançarem com denúncias”, concretiza.

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