Lagoa lidera recolha seletiva de resíduos urbanos por habitante nos Açores

Lagoa é o município regional com maior quantidade de resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante. Em 2024, foram 371 kg por habitante, um valor acima da média dos Açores (210 kg) e da nacional (122 kg)



A Lagoa lidera, a nível regional, os resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante, com 371 quilogramas (kg) por residente.

Segundo dados publicados no Instituto Nacional de Estatística (INE), a recolha seletiva por habitante da Lagoa em 2024 correspondia a cerca de 50,5% do total dos resíduos urbanos recolhidos por habitante (735 kg por residente), também o valor mais alto a nível regional.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o vice-presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Nelson Santos, realça que este resultado é fruto de uma aposta continuada na recolha seletiva e na proximidade do serviço aos munícipes, com a progressiva generalização da recolha porta a porta, a disponibilização de ecopontos domésticos e, desde 2023, a recolha seletiva de biorresíduos. A Câmara Municipal destaca, contudo, a adesão da população e dos agentes económicos.

Entre as medidas com maior impacto, o município aponta a recolha porta a porta, por tornar a separação mais simples no quotidiano, complementada pela distribuição de ecopontos domésticos e pela redução das frequências de recolha de resíduos indiferenciados.

A introdução da recolha seletiva de biorresíduos, em 2023, é também considerada um passo determinante, uma vez que esta fração representa uma parte significativa dos resíduos urbanos.

A autarquia defende que os resultados resultam da continuidade do sistema, da proximidade do serviço e da sensibilização ambiental.

Apesar da liderança na recolha seletiva, Lagoa foi também o município açoriano com maior quantidade de resíduos urbanos recolhidos por habitante, com 735 quilos em 2024. Para os próximos anos, o desafio passa, por isso, não só por aumentar a separação, mas também por reduzir a quantidade total de resíduos produzidos.

A autarquia pretende reforçar a prevenção, a reutilização e a separação de biorresíduos, sobretudo junto dos grandes produtores, atuando cada vez mais na origem e garantindo que uma parcela crescente dos resíduos é encaminhada para valorização.

Povoação com a menor percentagem de recolha seletiva por habitante

A Lagoa é o único município da Região em que a percentagem de recolha urbana seletiva ultrapassa os 50% em 2024.

Segundo os dados do INE, os Açores recolheram, em média, 210 kg de resíduos seletivos por habitante em 2024, num total de 629 kg de resíduos urbanos, o que corresponde a 33,4% de recolha seletiva.

Acima da média regional estão Lajes das Flores (48,1%), Vila Franca do Campo (44,2%), Nordeste (38,3%), Santa Cruz das Flores (38,1%), Vila do Porto (35,8%), Corvo (35%), Angra do Heroísmo (33,5%) e Ponta Delgada (33,4%).

Abaixo da média regional ficam Calheta (32,3%), Ribeira Grande (32,2%), Velas (31,4%), Santa Cruz da Graciosa (30,3%), Horta (28,2%), Vila da Praia da Vitória (25,2%), Madalena (24,7%), Lajes do Pico (22,1%) e São Roque do Pico (20,1%). Lajes do Pico regista também o valor mais baixo de recolha seletiva, com 84 kg por habitante.

Por sua vez, a Povoação apresenta a menor percentagem de resíduos urbanos recolhidos seletivamente por habitante em 2024 na Região, com 97 kg por habitante, num total de 669 kg de resíduos urbanos recolhidos por habitante (14,5%).

Em declarações ao Açoriano Oriental,  o técnico superior no ambiente da Câmara Municipal da Povoação, Sérgio Medeiros, salienta que os resíduos verdes são tratados localmente e não seguem para a MUSAMI. Ervas e outros resíduos provenientes da limpeza dos espaços verdes permanecem no concelho, um fator que contribui para os valores registados na recolha de resíduos e para a percentagem de recolha seletiva.

Na recolha seletiva, o município dispõe de quatro ecopontos a todas as habitações e mantém o sistema porta a porta para determinados resíduos, mas ainda não existe recolha de papel porta a porta para os habitantes - apenas para os empresários. Esse serviço deverá avançar até ao final deste ano ou em 2027, abrangendo também o comércio e a pequena indústria, como papelarias e restaurantes. Segundo o município, é necessário reforçar a sensibilização da população.

Sérgio Medeiros realça que a autarquia pretende, por isso, aumentar em 20% a recolha seletiva, através de um novo modelo de recolha.

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