Irão: Teerão e Cairo discutem regresso à mesa de negociações com EUA

O Egito e o Irão discutiram a possibilidade de a República Islâmica voltar à mesa de negociações com os Estados Unidos, segundo o Ministério dos Negócios estrangeiros egípcio.



O ministro dos Negócios estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, atualizou o homólogo egípcio, Badr Abdelatty, sobre “a perspetiva do Irão relativamente aos desenvolvimentos em curso, o andamento das negociações e os respetivos desafios”, numa conversa telefónica em que foi ainda abordada a gestão do estreito de Ormuz, segundo a diplomacia egípcia.

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou horas antes que a guerra com os Estados Unidos deve terminar, uma vez que o mundo aceitou que o Irão saiu vitorioso, segundo a imprensa estatal.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou no início da semana que Washington iria impor uma “guerra económica” sem precedentes ao Irão, para forçar a liderança da República Islâmica a ceder às exigências de pôr fim ao seu programa nuclear e reabrir totalmente o estreito de Ormuz.

Apesar da passagem marítima estar fechada por Teerão, o Presidente iraquiano referiu que Bagdade tem conseguido exportar petróleo pelo estreito.

“Há facilidades para alguns navios que transportam petróleo iraquiano no estreito de Ormuz”, afirmou Nizar Amidi em declarações publicadas no sábado pela agência estatal iraquiana.

Também a agência iraniana IRNA referiu hoje que vários petroleiros iraquianos receberam autorização para transitar e considerou este pedido um dos mais importantes do Iraque durante a recente visita ao país do principal negociador e presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Não ficou claro quantos navios que transportavam petróleo iraquiano foram autorizados a passar, nem quando, nem o que o Irão poderá ter recebido em troca.

A visita de três dias de Mohammad Bagher Ghalibaf ocorreu num momento em que o Iraque está a sofrer pressões de Washington para desarmar fações armadas apoiadas por Teerão.

Ghalibaf afirmou que a visita de três dias tinha como objetivo "reforçar a nova ordem na região e acelerar o reforço da cooperação entre todos os países da região, sem ingerência estrangeira".

A onda de choque da guerra desencadeada no final de fevereiro por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão estendeu-se ao Iraque, onde fações armadas atacaram interesses norte-americanos, com Washington a responder com ataques.

Desde a invasão norte-americana de 2003, o Iraque tem sido um terreno de rivalidade entre Washington e Teerão.

Sob pressão dos Estados Unidos, o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, deu aos grupos armados pró-iranianos até 30 de setembro para deporem as armas, um prazo que coincide com o fim da missão da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.

No entanto, alguns deles, sobretudo os grupos mais influentes e mais próximos da República Islâmica, recusam que este assunto seja discutido sob pressão norte-americana.

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