Indústria do açúcar com novas perspectivas de desenvolvimento

Indústria do açúcar com novas perspectivas de desenvolvimento

 

Rui Leite Melo   Regional   4 de Nov de 2009, 09:11

Produção de beterraba continua em baixo, mas SINAGA acredita que os novos incentivos poderão fazer aumentar o número de cultivadores.

A fábrica assume ambições nesse sentido, mas não descura o investimento na capacidade de laboração de outras matérias-primasApesar da baixa área de cultivo de beterraba registada em 2009, a SINAGA faz um balanço positivo da campanha deste ano e, sobretudo, revela-se bastante optimista quanto ao futuro da indústria do açúcar, pondo de parte qualquer cenário de crise para aquela que é uma das mais antigas e carismáticas indústrias de São Miguel.
De acordo com João Nogueira, assessor da Administração da SINAGA, quanto à campanha de 2009, esta é uma questão a abordar sob duas perspectivas: “a primeira em termos de resultados agrícolas e a segunda pela dimensão das áreas cultivadas. As más notícias são que a dimensão da área cultivada este ano foi baixa e tem vindo a decrescer nos últimos 3 a 4 anos. Foi baixa e atingiu apenas os 161 hectares de terreno. Isso aconteceu devido às dificuldades na aquisição de alimento para o gado bovino da indústria leiteira. Quem tem terras optou por produzir o seu próprio alimento para os animais, mas não só. Muitos que não têm animais resolveram deixar de produzir beterraba para produzir alimento para animais. Para procurar inverter a situação, a Sinaga aumentou a tabela do pagamento de beterraba aos cultivadores. Ao mesmo tempo, o Governo Regional, que tem uma verba para aplicar à cultura de beterraba, e atendendo a que vem diminuindo o terreno de cultivo,  aumentou o apoio por hectare, que agora ronda, em média, os 1300 euros. Do ponto de vista do cultivador, o resultado médio deste ano foi de 1300 euros  líquidos por hectare, contra os 800 a 900 euros do ano passado e anos anteriores”. Conforme salientou aquele responsável, os cultivadores em questão já foram pagos e “ninguém reclamou, portanto, estamos todos contentes pelo que estamos neste momento a considerar que nos próximos anos haja um reforço da área cultivada”. Convém também referir terem sido salientados os cultivadores com resultados excelentes e mesmo excepcionais e com grandes rendimentos, “porque fizeram a correcção de solos de maneira certa.
Acresce que este ano as condições climatéricas foram boas para quem semeou a beterraba mais cedo. “Fizemos tudo o que havia para fazer, tivemos resultados razoáveis, e se tivéssemos semeado um pouco mais cedo, tínhamos tido muito melhores resultados, isto porque quase não choveu na altura mais delicada”, destacou João Nogueira.
Posto isto, “direi que os resultados foram bons, que a cultura da beterraba, para nós, é uma cultura com futuro e que temos confiança que se irá recuperar cada vez mais as áreas de cultivo que  a Sinaga teve num passado recente”, concluiu. A Sinaga assume, portanto, o futuro com optimismo.

Atingir o ideal
Possuindo equipamentos mecânicos de colheita e de tratamento dos solos totalmente automatizados e preparados para uma área entre 500 a 600 hectares, o objectivo assumido da Sinaga é o de laborar 750 hectares mas, para isso, muito caminho há a percorrer. “Os agricultores são pessoas com tradições arreigadas mas estamos sempre a insistir que quem fez e investiu no tratamento da terra, tem retorno a triplicar”, lamenta João Nogueira, que não deixa de lançar no ar alguma crítica ao peso e influência do sector dos lacticínios face aos demais. Mas admite que actualmente cabe à indústria “puxar” pela produção agrícola, nomeadamente no que concerne à produção de beterraba.
Em concreto, em 2009, a Sinaga trabalhou com 161 hectares de beterraba, que resultaram em 6661 toneladas de beterraba (uma média de 40,4 toneladas por hectare), o que se traduziu na produção de 661 toneladas de açúcar. A fábrica da Sinaga está preparada para receber por dia mil toneladas de beterraba, o que significa, face à produção, que teve sete dias de laboração. Por uma questão de cariz industrial, a laboração estendeu-se por quinze dias pois “não nos interessa ligar e desligar as máquinas”. O ideal seria trabalhar 60 dias”.

Alternativas à
beterraba em estudo

Em 2009, a SINAGA importou 3 mil toneladas de ramas no mercado de intervenção da Suécia, “ainda muito caras”, como refere João Nogueira, mas com ajuda do Governo Regional dos Açores está já prevista nova importação de forma a garantir a produção de açúcar até à próxima colheita: “vamos ter de importar 3 a 4 mil toneladas mas as boas notícias é que a partir de 2010, já poderemos importar ramas de cana de açúcar muito mais baratas”.
Também a partir de 2010, a Sinaga poderá refinar ramas de cana de açúcar mas, para tal, terá de ser adquirido equipamento actualmente avaliado em cerca de um milhão de euros. Tal só deverá acontecer no final do próximo ano, e “até lá só poderemos comprar ramas de beterraba”, assegura o assessor da Administração.


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