Açoriano Oriental
Covid-19
Ilha das Flores regressa à normalidade com novas rotinas

A ilha das Flores é uma das três dos Açores que não registou casos positivos de Covid-19 e já regressou à 'nova normalidade'. Os autarcas dos dois únicos concelhos da ilha apontam a restauração como o setor mais afetado e que necessita de atenção


Autor: Susete Rodrigues/AO Online

O regresso à ‘nova normalidade’ implica novas rotinas e para a população das Flores, que ronda os 3793 habitantes (de acordo com os censos de 2011) e reparte-se pelos dois concelhos, Santa Cruz e Lajes das Flores, a adaptação não foi difícil. Um pouco apreensivo no início, como refere Luís Maciel, presidente da Câmara Municipal das Lajes das Flores mas que não passou disso mesmo: “Houve alguma apreensão com as novas regras, nomeadamente o uso de máscara, o distanciamento, mas de uma forma geral tem corrido dentro bem e com serenidade”.

Também a população do concelho de Santa Cruz das Flores aceitou bem as novas normas. José Pimentel Mendes, presidente da autarquia, afirma que “tem sido um regresso normal e não tivemos nenhuma situação complicada. A população adaptou-se às medidas de proteção individual, as pessoas interiorizaram que é mesmo necessário porque a sua proteção é a proteção dos outros e só temos que elogiar a população porque estão sensíveis a essas normas”.

Nas Flores já reabriram todos os serviços municipais, bem como os serviços da administração regional, escolas, creches, jardins de infância, espaços culturais, de restauração e hotelaria. E é precisamente nesse setor que ambos os autarcas apontam as maiores dificuldades. Em Santa Cruz “cafés, restaurantes e hotéis está tudo aberto mas o turismo não existe”, sustenta José Pimentel Mendes, relembrando que “o espaço aéreo está fechado e muito bem mas é evidente que tem as suas consequências e essas refletem-se através do pouco movimento na restauração”.

Por isso, diz que é “necessário acompanhar essa situação de perto e apoiar todas essas empresas porque são elas que dinamizam a economia do concelho e criam emprego”. “Sabemos que este verão vai ser uma época difícil mas estamos esperançosos que as coisas vão melhorar. Vamos conseguir superar esta situação e no próximo verão as coisas estarão bem melhores”, sublinha José Pimentel Mendes. As medidas de apoio do Governo Regional “apesar de não serem suficientes têm ajudado muito e têm sido muito importantes. Até este momento não tem havido muita contestação em relação a esses apoios”, refere o presidente da Câmara de Santa Cruz, alertando que agora “temos que pensar como vai ser no futuro porque ainda temos muito caminho para percorrer e é por isso temos que dirigir o nosso foco para este período que ai vem”.

Nas Lajes das Flores, os empresários do setor da restauração, hotelaria e do comércio estão a tentar adaptar-se às novas medidas: “O que temos visto, por parte das empresas, é essa vontade de se adaptarem e tem havido um grande empenho”, refere Luís Maciel, acrescentando que “esses setores vão sofrer um impacto grande a nível económico porque, à semelhança das outras ilhas e do país, o turismo tem um peso importante no concelho e na ilha e este está a fazer-se sentir e vai fazer-se sentir ainda mais daqui para a frente”.

Luís Maciel recorda que o concelho das Lajes é pequeno e a maioria das empresas são de pequena dimensão, “muitas delas são familiares e penso que todas fizeram um esforço muito grande para manterem os postos de trabalhos e agora estão a retomar a sua atividade por forma a que consigam ultrapassar essa fase”.

Com a reposição das ligações marítimas entre as Flores e Corvo, falta regressar a operação aérea de passageiros, o que poderá acontecer no próximo mês de junho. Questionados se receiam este regresso, ambos respondem afirmativamente, contudo, também são de opinião que não poderão isolar-se e há que abrir a ilha à economia.

José Pimentel Mendes, classifica o cancelamento da operação aérea da SATA como uma das medidas mais eficazes que foi tomada no início do surto nos Açores, mas sublinha que “não podemos viver internamente numa bolha e isolados. Efetivamente preocupa-me o regresso dos voos. Vai expor-nos e numa ilha pequena como a nossa e com poucos recursos se as coisas complicarem-se será sempre mais difícil, dai a nossa apreensão com o regresso da operação da SATA”. Porém, “esperamos que continue a existir algumas restrições e controlo porque se assim não for, todo o sacrifício que foi feito pode ir todo por água abaixo”.

Luís Maciel relembra que as Flores conseguiram manter-se sem casos positivos de Covid-19 muito porque as ligações aéreas foram interrompidas, o “que nos deu uma grande proteção. Claro que o regresso das ligações aéreas poderá aumentar o risco de casos mas, por outro lado, as empresas e todo o funcionamento da ilha precisa de ligações, principalmente os sectores que vivem do turismo”.

O autarca das Lajes alerta ser “fundamental que se encontre um equilíbrio para que consigamos controlar a entrada de pessoas, através da realização de testes ou de outros mecanismos que permitam que haja controlo e que possamos abrir gradualmente a nossa economia. Penso que vai ser necessário compatibilizar a reabertura com a manutenção da segurança”.


 
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