Hillary Clinton exige que verdade venha à tona no caso Epstein

O testemunho da ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton chegou ao fim após mais de seis horas a portas fechadas, tendo dito aos jornalistas que "quer ver a verdade vir à tona" sobre o caso Epstein



Em frente ao Centro de Artes de Chappaqua, onde prestou depoimento perante os congressistas da Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, Hillary Clinton elogiou o presidente do comité, o republicano James Comer, por levantar uma série de questões importantes sobre a natureza da investigação e por ouvi-la sobre as áreas que a democrata considera que precisam de ser exploradas.

"Agradeci isso. Quero que a verdade venha à tona, então essa foi uma maneira tranquilizadora de encerrar um depoimento muito longo e repetitivo", disse a jornalistas, no final da audição.

A antiga primeira-dama confirmou que respondeu repetidamente à mesma pergunta dos congressistas sobre se conhecia o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

"Não sei quantas vezes tive que dizer que não conhecia Jeffrey Epstein", afirmou.

Também disse aos repórteres que o seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, que será ouvido nos mesmos moldes na sexta-feira, havia encerrado as ligações com Epstein antes que os abusos sexuais cometidos pelo magnata se tornassem conhecidos.

Hillary Clinton garantiu ter a certeza de que o seu marido não sabia nada sobre os crimes de Jeffrey Epstein.

"A grande maioria das pessoas que tiveram contacto com ele [Epstein] antes da sua confissão de culpa em 2008 (...) não sabia o que ele estava a fazer", insistiu.

A antiga primeira-dama já havia declarado que o seu marido viajava com Epstein em contextos beneficentes, mas que não se lembrava de tê-lo conhecido pessoalmente.

Admitiu também ter interagido com Ghislaine Maxwell, ex-namorada e confidente de Epstein, em conferências organizadas pela Fundação Clinton.

Maxwell, uma socialite britânica que atualmente cumpre pena de prisão por tráfico sexual, também compareceu ao casamento da filha do casal Clinton, Chelsea Clinton, em 2010.

Ao sair da audição, Hillary Clinton disse aos jornalistas que Maxwell havia comparecido ao casamento como convidada de outra pessoa e que havia dito aos congressistas que só via Maxwell "como uma conhecida".

"Se esta comissão realmente quisesse saber a verdade sobre os crimes de exploração sexual de Epstein (...), pediria diretamente ao nosso atual Presidente [Donald Trump] que se explicasse sob juramento sobre as dezenas de milhares de vezes em que aparece nos arquivos", disse a ex-secretária de Estado numa declaração inicial que compartilhou na plataforma X.

Hillary Clinton reiterou que a audição foi muito repetitiva e que a comissão perdeu a oportunidade de lhe dar um depoimento público.

Garante que não fará novamente uma sessão como a de quinta-feira.

Membros da Comissão de Supervisão Câmara dos Representantes, de maioria republicana, viajaram para Chappaqua, uma pequena cidade rica ao norte da cidade de Nova Iorque, onde os Clinton possuem uma casa e onde decorrem as audições.

A ex-secretária de Estado foi ouvida antes do seu marido, que testemunhará na sexta-feira.

O ex-Presidente democrata Bill Clinton viajou diversas vezes no jato particular de Jeffrey Epstein e foi fotografado na sua companhia em inúmeras ocasiões.

"Temos muitas perguntas para o marido dela", concluiu o republicano James Comer, presidente da comissão, observando que Hillary Clinton havia respondido "uma dúzia" de vezes que algumas questões deveriam ser feitas ao ex-presidente diretamente.

Já os democratas da comissão, por sua vez, aproveitaram-se de um novo elemento do caso que se mostrou constrangedor para Donald Trump.

Segundo diversos meios de comunicação, o Departamento de Justiça impediu a divulgação de documentos relacionados às acusações de uma mulher que alega ter sido abusada sexualmente quando menor de idade por Jeffrey Epstein e Donald Trump.

"Estes são documentos que acusam o Presidente dos Estados Unidos de atos gravíssimos de violência sexual", insistiu o congressista da Califórnia Robert Garcia.

"Exigimos que o Presidente Trump seja convocado imediatamente para depor perante a nossa comissão", acrescentou, repetindo os apelos já deixados por Hillary Clinton.


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