No parlamento, numa audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, Paulo Rangel referiu-se ao entendimento técnico sobre a utilização da base militar nos Açores e que prevê “a resposta a um ataque concreto e de acordo com o princípio da proporcionalidade e da necessidade e sem visar infraestruturas civis” no âmbito do conflito.
“Estas são as razões que Portugal pôs e temos razões para acreditar que foram respeitadas”, declarou o chefe da diplomacia portuguesa, apontando uma “colaboração leal” por parte das autoridades de Washington.
Paulo Rangel partilhou dados sobre o movimento na Base das Lajes nas últimas semanas, que considera “ínfimo relativamente ao esforço de guerra” empenhado pelos Estados Unidos, Israel e também os países do Golfo que foram arrastados para o conflito.
Segundo o ministro, desde 15 de fevereiro, 13 dias antes do início da ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica, foram registadas 76 aterragens nas Lajes, “o que não é um número propriamente extraordinário”, e 25 sobrevoos no espaço aéreo português.
“O Governo fez questão de tratar este assunto com transparência”, reforçou Paulo Rangel, que desvalorizou por outro lado as recusas de parceiros da NATO sobre a utilização dos Estados Unidos das suas instalações militares, insistindo que Portugal acompanha todos os movimentos nas Lajes e mantém o diálogo com Washington.
“Recusas há sempre, mas não vamos pôr isso nos jornais”, observou, acrescentando: “Nós temos um aliado que são os Estados Unidos, temos uma obrigação de cooperação com os Estados Unidos que estamos a cumprir, cumprimo-la com este rigor e digo à opinião pública portuguesa e aos portugueses que estamos a dizer a verdade. Os outros governos fazem o que entendem”.
Na sua intervenção inicial junto dos deputados da comissão parlamentar, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros reafirmou que Portugal defende uma solução diplomática para a guerra no Médio Oriente e criticou “uma escalada no terreno ou na retórica”, no dia em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou que "uma civilização inteira morrerá esta noite", referindo-se ao Irão e ao ultimato dado ao regime de Teerão, que expira às 20h00 de hoje em Washington (01h00 de quarta-feira em Lisboa).
“Portugal está contra atingir qualquer infraestrutura civil e contra qualquer escalada no terreno ou na retórica”, afirmou.
O chefe da diplomacia assinalou que a posição de Portugal não mudou em relação ao que foi enunciado “de modo absolutamente claro e insuscetível de qualquer dúvida, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro”, no dia 4 de março no parlamento, de que Portugal “não apoia e não participa na intervenção militar".
Paulo Rangel destacou que o Governo português acompanhou as negociações entre as partes, mediadas por Omã, nos dias que antecederam o conflito e que, desde o início das hostilidades, tem estado em contacto com “todos os homólogos dos países atingidos”, elencando os Estados do Golfo, mas também as diplomacias que têm estado a desenvolver esforços negociais, como o Paquistão e o Egito.
Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão.
Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.
