Cooperativa de Laticínios do Faial faz permuta da fábrica para saldar dívidas

A nova direção da Cooperativa Agrícola de Laticínios do Faial (CALF), nos Açores, chegou a acordo com a Lactaçores, seu principal parceiro, para regularizar uma dívida de 8 milhões de euros (ME) em troca da unidade fabril da ilha



“O negócio, podemos até considerar, é um acordo de responsabilidade social que permitiu manter a CALF aberta. Foi a possibilidade que encontrámos, com os nossos parceiros da Lactaçores, de continuarmos a laborar”, explicou presidente da direção da cooperativa, Dinis Faria, em declarações à Lusa.

O novo administrador da CALF, eleito em novembro do ano passado para um mandato de quatro anos, lembra que a única cooperativa de laticínios da ilha esteve à beira de fechar as portas devido ao elevado volume de dívidas a fornecedores e à banca, que rondavam, no final de 2025, 12 milhões de euros.

“A CALF esteve muito perto de fechar as portas, isso é do conhecimento de toda a gente, por isso, fizemos este acordo, para manter a casa aberta, manter os postos de trabalho e manter um local onde nós, produtores, pudéssemos colocar o leite”, justificou Dinis Faria.

O acordo determina que a fábrica de laticínios situada na freguesia dos Cedros, na ilha do Faial, passa provisoriamente para a posse da Lactaçores (uma união de três cooperativas: a CALF, no Faial, a Uniqueijo, em São Jorge, e a Unileite, em São Miguel), em troca da regularização de uma dívida, no valor de 8 milhões de euros.

“Conseguimos que a nossa dívida ficasse saldada e salvaguardamos também que o nosso património fica dentro da Lactaçores”, explicou Dinis Faria, adiantando que, o acordo agora alcançado, impede também que a união de cooperativas possa vender a unidade fabril a terceiros.

Segundo o novo administrador da CALF, a fábrica de laticínios do Faial tinha, no final de 2025, um passivo de 12 milhões de euros, em parte fruto da alegada “gestão danosa” da anterior administração, que Dinis Faria pretendia levar a tribunal para a responsabilizar por esses atos, mas a maioria dos associados recusou.

“Houve irregularidades durante a administração anterior, isso é factual. Trouxemos o caso à Assembleia Geral para as pessoas decidirem, porque achámos que era o mais importante, mas os sócios entenderam o contrário, e respeitamos. Para nós, é um assunto encerrado”, argumentou o presidente da CALF.

A regularização das dívidas da CALF (há ainda 4 milhões de dívida à banca e a fornecedores, entretanto, renegociada) vai permitir também que a cooperativa faialense possa recorrer a fundos comunitários para investir na modernização da fábrica.

“Esses investimentos, conseguimos fazê-los devido a este acordo, porque manteve-nos com rácios para podermos candidatar-nos a fundos europeus, para fazermos um investimento, na ordem dos 4 milhões de euros, para modernizar todo o interior da CALF”, explicou Dinis Faria.

A cooperativa de laticínios do Faial é composta por 80 produtores, que entregam 12 milhões de litros de leite por ano.


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