Governo francês autorizou uso de granadas de atordoamento em protestos de sábado

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, autorizou o uso de granadas de atordoamento - proibidas nas manifestações estudantis - durante os protestos marcados para o próximo sábado



A declaração ocorreu na véspera de um dia de protestos em França, que vai reunir não só estudantes, mas também outros grupos - incluindo os "coletes amarelos", responsáveis por distúrbios em 2019 — em protesto contra o aumento do custo de vida.

A granada de atordoamento M84 ("flashbang") é uma arma não letal que provoca a perda de visão e audição no momento da deflagração.  "Os polícias e os gendarmes podem vir a utilizar todo o arsenal de armas não letais à disposição — desde granadas de gás lacrimogéneo a lançadores de projéteis de defesa — em contextos de extrema dificuldade", disse Nuñez à estação televisiva France 2.

O ministro do Interior (correspondente ao Ministério da Administração Interna) salientou que a orientação abrange as granadas de atordoamento que, segundo disse, são "pouco utilizadas" pelas forças de segurança, mas que "caso ocorram episódios de violência urbana extremamente graves (...), podem vir a ser usadas".

"As granadas não são utilizadas em operações de manutenção da ordem durante manifestações que decorrem normalmente (...) Caso haja confrontos graves e intensos —, podem ser utilizados todos os tipos de armas não letais", sublinhou.

O ministro acrescentou que as manifestações do próximo sábado são distintas daquelas que têm sido levadas a cabo pelos alunos do ensino secundário — ocasiões em que a atuação policial para conter os distúrbios foi criticada.

Nuñez indicou que foram identificadas cerca de 250 convocatórias através das redes sociais e aproximadamente 80 manifestações — das quais metade já solicitou autorização às autoridades —, e pediu que as restantes façam o mesmo para facilitar a manutenção da ordem.

O ministro lamentou que, no final de muitos dos protestos, se infiltrem "elementos de extrema-esquerda" que provocam confrontos com as forças de segurança e danos no espaço público.

Por outro lado, Nuñez acrescentou que também existe o receio de bloqueios de estradas em certos pontos do país — como já aconteceu durante o movimento dos "coletes amarelos" — e salientou que, caso isso aconteça, deu ordens aos agentes para que garantam a circulação.

Os bloqueios nas instituições de ensino ocorreram pontualmente em vários locais do país, embora a maioria das escolas e centros educativos tenha funcionado normalmente.

Mesmo assim, em alguns pontos, os protestos estudantis levaram a confrontos com as forças de segurança ao início da manhã, um dos quais, no sudeste de Paris, que resultou em cargas da polícia de choque.


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