“Continuará a ser a SATA e a TAP a complementar a falta de oferta da Ryanair, se se confirmar a saída. Estamos a apostar nisso. Estamos a trabalhar junto da SATA e da TAP para reforçar a sua operação. Estamos já a fazer diligências com outras companhias num futuro mais a médio prazo porque, obviamente, o verão já está em venda e o inverno já está preparado”, adiantou a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.
Berta Cabral falava à comunicação social em Ponta Delgada depois da apresentação das novas regras do galardão Misotis Azores, que reconhece a sustentabilidade dos alojamentos turísticos e que vai passar a seguir critérios do Conselho Global de Turismo Sustentável ('Global Sustainable Tourism Council').
A secretária regional lembrou que no setor “tudo é planeado com muita antecedência”, para ressalvar que “só a partir, eventualmente, do verão de 2027” é que poderá existir uma nova companhia a voar entre o continente e os Açores.
“A questão da Ryanair é apenas um fator que será colmatado com a duas companhias que temos, com a SATA e a TAP, e com o trabalho que já estamos a fazer junto de outras companhias que não são nacionais, mas operam no mercado nacional e fazem voos domésticos”, reforçou.
Em janeiro, o presidente executivo da companhia aérea, em entrevista à Lusa, disse que a Ryanair vai encerrar a base nos Açores no fim de março, uma “decisão final” motivada pelas taxas aeroportuárias e pela tributação ambiental europeia.
Após a entrevista do presidente da Ryanair, o líder do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, reconheceu a “valia” da companhia e disse que o executivo espera que mantenha a operação na região.
Berta Cabral admitiu que “não tem havido grandes conversações” entre o Governo Regional e a Ryanair: “em termos de reuniões têm estado a protelar e não tem havido grandes conversações”.
Sobre as preocupações manifestadas por associações, que têm pedido mais planeamento no turismo e alertado para a quebra das dormidas nos últimos meses, a secretária regional lembrou a “grande volatilidade do turismo” em função de “pequenas perturbações”.
“Crescemos a dois dígitos durante anos consecutivamente porque é natural que assim tenha sido, mas também sabíamos que o próprio turismo depois entra em planalto e começa a entrar em fase de estabilização dos próprios indicadores. É o que está a acontecer neste momento”, defendeu.
