No debate de urgência sobre a situação financeira dos hospitais da região, solicitado pelo Chega, a secretária regional da Saúde e Segurança Social destacou que a produção cirúrgica no Serviço Regional de Saúde (SRS) aumentou “mais de 3%” no primeiro semestre de 2026 (em comparação com o período homólogo), com a realização de 4.353 cirurgias.
“Em igual período, os três hospitais da região realizaram um total de 2.521.923 exames e tratamentos no âmbito dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, mais 3,40%, enquanto as sessões de Hospital de Dia cresceram 3,70%, para um total de 46.698”, acrescentou Mónica Seidi, no plenário da Assembleia Regional, na Horta.
Segundo a governante, o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) identificou “quatro áreas com potencial de poupança” no SRS, como os recursos humanos e a logística, para “uniformizar os cálculos de valores de horas extraordinárias” e criar um “inventário sistemático” e "instalar armazéns avançados".
A titular da pasta da Saúde destacou, também, a importância de garantir a “aquisição conjunta nos três hospitais” para “acabar com os ajustes diretos” e de implementar um “sistema integrado da deslocação de doentes”.
No debate, o deputado do PS Carlos Silva alertou que de 2023 a 2025 a “lista de inscritos para cirurgia cresceu 26%” para 13.463 utentes, o “tempo médio de espera subiu 24% para 484 dias” e o “número de doentes operados caiu 14%”, apesar do aumento “expressivo” das verbas para o setor.
“Mais dinheiro, mais espera, menos cirurgias”, denunciou o socialista.
O PS/Açores propôs a criação de um “plano de saneamento financeiro credível e a reestruturação da gestão hospitalar”, sugerindo, também, a “centralização de compras públicas e concursos partilhados” para “alcançar economias de escala e reduzir margens dos intermediários”.
Já a deputada do PSD Ana Jorge destacou o investimento de 65,8 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência na digitalização, equipamentos e em “novas capacidades de tratamento”.
Para a social-democrata, “reconhecer o subfinanciamento crónico” na saúde implica “reconhecer que os problemas acumulados exigem respostas consistentes e duradouras”.
Pedro Neves (PAN) alertou que existem “quase 14 mil açorianos a aguardar por uma cirurgia”, o “valor mais elevado desde que existem registos”, e questionou “de que serve aumentar a atividade hospitalar se as listas de espera continuam a crescer”.
Também António Lima (BE) visou a existência do “maior número de açorianos em lista de espera de que há memória”, considerando que os hospitais têm "um “problema que não é só financeiro, mas de gestão”.
O liberal Nuno Barata referiu, igualmente, o número de utentes em lista de espera e avisou que a região “está a gastar cada vez mais sem resultados proporcionais”, reivindicando a divulgação de “informação clara” sobre a situação financeira dos três hospitais do arquipélago.
Pedro Pinto, do CDS-PP, destacou o “esforço sem precedentes” realizado pelo Governo Regional, mas reconheceu que os “resultados ainda não são suficientes”, já que a lista de espera cirúrgica é um dos “problemas mais preocupantes”.
O deputado do PPM, João Mendonça, defendeu que “todas as decisões financeiras” na área da saúde devem promover a “coesão territorial”.
Antes, no arranque do debate, o Chega/Açores defendeu a contratualização de parcerias público-privadas (PPP) para gerir os três hospitais da região.
