Franqueira Rodrigues quer Açores como sede permanente das operações marítimas da UE

Eurodeputado André Franqueira Rodrigues defendeu que os Açores devem ser a sede permanente das operações marítimas atlânticas da UE, destacando a sua posição estratégica



O eurodeputado açoriano socialista André Franqueira Rodrigues defendeu que os Açores devem tornar-se a sede permanente das operações marítimas atlânticas da União Europeia(UE), durante a abertura do Annual European Coast Guard Event 2026, realizado em Ponta Delgada.

Segundo uma nota de imprensa enviada à redação, o encontro reuniu responsáveis das Agências Europeias para a Segurança Marítima (EMSA), Controlo das Pescas (EFCA) e da FRONTEX, bem como representantes das autoridades nacionais de guarda costeira dos Estados-membros da UE.

Na sua intervenção, Franqueira Rodrigues destacou a importância estratégica do arquipélago para a segurança marítima europeia, sublinhando que os Açores “não estão à margem da Europa”, mas sim “ na fronteira daquilo que a Europa é e do que pode vir a ser”. Recordou ainda que a Região possui uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da UE e que o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada é responsável por uma área de cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados.

O eurodeputado salientou os avanços alcançados na cooperação entre as agências europeias, nomeadamente através das dezasseis Operações Marítimas Multiusos realizadas desde 2019 e dos mecanismos de partilha de informação em tempo real entre as autoridades marítimas dos Estados-membros.

Apesar dos progressos, alertou para a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada nas águas dos Açores e nas suas imediações. Defendeu, por isso, um reforço da presença operacional no Atlântico e apelou a um compromisso político que permita mobilizar de forma sistemática os recursos das três agências europeias na região.

Franqueira Rodrigues abordou igualmente o atual contexto geopolítico, considerando que a Europa deve desenvolver uma capacidade autónoma de atuação no mar.Referindo-se à autorização unilateral dos Estados Unidos para a mineração em águas internacionais, em 2025, afirmou que uma relação baseada numa liderança americana permanente não é uma parceria, mas sim “dependência”, o que considera uma “vulnerabilidade” para a Europa.

O  socialista garantiu ainda o empenho do Parlamento Europeu em reforçar os meios das agências marítimas no próximo Quadro Financeiro Plurianual e defendeu uma distribuição mais equilibrada dos recursos, advertindo que as regiões ultraperiféricas “não podem ser as últimas a receber atenção e as primeiras a perder financiamento”.

A edição do evento nos Açores foi considerada ainda pelo eurodeputado um reconhecimento da importância do Atlântico e do papel estratégico do arquipélago na segurança marítima da UE.  

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